UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Mulher, 28 anos, G0, refere ciclo menstrual irregular sendo portadora de Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), usuária de camisinha para contracepção e espironolactona para controle de hirsutismo. Há 7 dias, apresenta sangramentos vaginal com fluxo aumentado, por vezes com saída de coágulos e dismenorreia de forte intensidade. Refere ainda fraqueza e tontura há 2 horas. DUM = 16/08/2018, gesta teste positivo. Ao exame: BEG, eupneica, afebril, hipocorada (2+/4+), consciente e orientada. FC = 84bpm, FR = 20irpm, PA = 100x60mmHg. Abdome flácido, doloroso a palpação de hipogástrio e fossa ilíaca direita, Blumberg negativo. Especular = conteúdo vaginal com sangue e coágulos. Colo médio, sangramento ativo saindo do OCE. Toque vaginal = colo impérvio, com sangue em dedo de luva, amolecido, doloroso à mobilização. Útero em AVF intrapélvico, anexos não palpáveis e indolores. Sobre o caso clínico apresentado, assinale a opção incorreta.
Sangramento + dor abdominal no 1º trimestre → sempre investigar gravidez ectópica e abortamento.
Sangramento vaginal e dor abdominal no primeiro trimestre de gravidez exigem investigação imediata para excluir condições graves como gravidez ectópica e abortamento. A ultrassonografia transvaginal e o beta-hCG seriado são ferramentas diagnósticas cruciais para determinar a viabilidade e localização da gestação.
A hemorragia no primeiro trimestre da gestação é uma queixa comum e sempre motivo de preocupação, exigindo uma avaliação rápida e precisa para garantir a segurança materna e fetal. Os diagnósticos diferenciais são amplos e incluem desde condições benignas, como a ameaça de aborto, até emergências que podem colocar a vida da paciente em risco, como a gravidez ectópica rota. A anamnese detalhada, o exame físico e a avaliação laboratorial e de imagem são pilares para o diagnóstico correto. A gravidez ectópica é uma das condições mais críticas a serem excluídas, especialmente em pacientes com dor abdominal associada ao sangramento e teste de gravidez positivo. A ultrassonografia transvaginal é a ferramenta diagnóstica mais valiosa, permitindo a visualização do saco gestacional intrauterino ou, na ausência deste, a identificação de massas anexiais ou líquido livre na cavidade abdominal. O monitoramento seriado do beta-hCG também é fundamental para avaliar a viabilidade e a progressão da gestação. O manejo dependerá do diagnóstico específico. Em casos de ameaça de aborto, o repouso e a observação podem ser indicados. Para abortamentos em curso ou retidos, opções incluem manejo expectante, medicamentoso ou cirúrgico. Já a gravidez ectópica pode requerer tratamento medicamentoso com metotrexato ou cirúrgico (laparoscopia ou laparotomia), dependendo da estabilidade hemodinâmica da paciente e das características da gestação ectópica. A compreensão aprofundada desses cenários é vital para a prática clínica e para a aprovação em provas de residência.
Os principais diagnósticos diferenciais incluem ameaça de aborto, aborto em curso (incompleto ou inevitável), aborto retido, aborto completo e, crucialmente, gravidez ectópica.
A ultrassonografia transvaginal é essencial para determinar a localização da gestação (intra ou extrauterina), a presença de saco gestacional e embrião, atividade cardíaca fetal e a presença de descolamentos, auxiliando no diagnóstico diferencial.
A gravidez ectópica deve ser fortemente suspeitada em pacientes com teste de gravidez positivo que apresentam sangramento vaginal irregular, dor abdominal (especialmente unilateral ou em cólica), e/ou sinais de instabilidade hemodinâmica.
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