Hemorragia Pós-Parto: As 4 Causas Essenciais (4 Ts)

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2024

Enunciado

Uma paciente de 35 anos de idade, G5P4 (todos partos vaginais), IG = 41 semanas, teve parto vaginal uma hora após a indução do parto com misoprostol. Ao ser avaliada, foi percebido um volume de aproximadamente 500 mL em fralda. Ao exame físico, apresentou os seguintes sinais vitais: FC = 120 bpm, FR = 33 irpm, PA = 80 mmHg x 65mmHg e SpO2 = 97%. Assinale a alternativa que indica as causas que devem ser pesquisadas para o tratamento do quadro clínico da paciente.

Alternativas

  1. A) Atonia uterina, multiparidade, lacerações de trajeto de parto, retenção placentária e coagulopatia.
  2. B) Laceração de trajeto de parto, retenção placentária, síndrome HELLPe atonia uterina.
  3. C) Atonia uterina, laceração de trajeto, retenção de restos placentários e coagulopatia.
  4. D) Retenção de restos placentários, macrossomia fetal e atonia uterina

Pérola Clínica

HPP com choque: investigar as 4 Ts (Tônus, Trauma, Tecido, Trombina) para identificar a causa e iniciar tratamento.

Resumo-Chave

Diante de uma hemorragia pós-parto com sinais de choque hipovolêmico, a investigação deve ser sistemática e rápida, focando nas quatro principais causas: atonia uterina (Tônus), lacerações do trato genital (Trauma), retenção de restos placentários ou coágulos (Tecido) e coagulopatias (Trombina). A multiparidade é um fator de risco importante para atonia uterina.

Contexto Educacional

A Hemorragia Pós-Parto (HPP) é uma das principais causas de morbimortalidade materna globalmente, sendo definida como a perda sanguínea igual ou superior a 500 mL após parto vaginal ou 1000 mL após cesariana, dentro das primeiras 24 horas. A identificação precoce e o manejo rápido são cruciais para o prognóstico materno. A paciente em questão apresenta sinais de choque hipovolêmico, indicando uma HPP significativa que requer intervenção imediata. A investigação da HPP deve seguir a mnemônica dos '4 Ts'. O Tônus refere-se à atonia uterina, a causa mais frequente, onde o útero não contrai adequadamente. O Trauma inclui lacerações do colo, vagina ou períneo, e ruptura uterina. O Tecido diz respeito à retenção de restos placentários ou coágulos que impedem a contração uterina. Por fim, a Trombina abrange as coagulopatias, sejam elas pré-existentes ou adquiridas durante a gestação ou parto. O tratamento da HPP é multifacetado e deve ser iniciado simultaneamente à investigação da causa. Inclui medidas de ressuscitação volêmica, massagem uterina, uso de uterotônicos (ocitocina, misoprostol, metilergonovina), revisão da cavidade uterina para remoção de restos, sutura de lacerações e, em casos refratários, procedimentos cirúrgicos como ligadura de artérias uterinas ou histerectomia. A multiparidade é um fator de risco conhecido para atonia uterina, tornando a paciente do caso ainda mais suscetível.

Perguntas Frequentes

Quais são as 4 principais causas da Hemorragia Pós-Parto (HPP)?

As 4 principais causas da HPP são conhecidas como os '4 Ts': Tônus (atonía uterina), Trauma (lacerações do trato genital), Tecido (retenção de restos placentários ou coágulos) e Trombina (coagulopatias).

Qual é a causa mais comum de Hemorragia Pós-Parto e quais são seus fatores de risco?

A atonia uterina é a causa mais comum de HPP, responsável por 70-80% dos casos. Fatores de risco incluem multiparidade, macrossomia fetal, polidrâmnio, trabalho de parto prolongado, uso excessivo de ocitocina e parto induzido.

Como a multiparidade se relaciona com a Hemorragia Pós-Parto?

A multiparidade é um importante fator de risco para atonia uterina, pois o útero de multíparas pode ter uma menor capacidade de contração eficaz após partos sucessivos, aumentando o risco de falha na hemostasia uterina e, consequentemente, de HPP.

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