Hemorragia Pós-Parto: Manejo de Lacerações do Canal

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2022

Enunciado

Uma mulher de 34 anos de idade teve parto fórcipe por apresentação occípito-sacra, realizado com bloqueio de pudendo. O recém-nascido pesou 3.560 g e foi realizada episotomia mediolateral direita, sem intercorrências. Na enfermaria, após 1,5 hora do parto, começou a apresentar sangramento vaginal importante. Ao exame, encontra-se corada, com sinais vitais normais, abdome flácido, útero palpável 3 cm abaixo da cicatriz umbilical, contraído. Observa-se sangramento com coágulos em grande quantidade no absorvente. Entre as condutas abaixo, a melhor para este caso é

Alternativas

  1. A) massagem uterina e pesquisa de distúrbios de coagulação sanguínea.
  2. B) misoprostol por via vaginal.
  3. C) infusão rápida de ocitocina por via endovenosa.
  4. D) revisão imediata do canal de parto.

Pérola Clínica

Hemorragia pós-parto com útero contraído → investigar laceração de canal de parto.

Resumo-Chave

Em casos de hemorragia pós-parto (HPP) com útero bem contraído e sinais vitais estáveis, a principal causa a ser investigada é a laceração do canal de parto (colo, vagina, períneo), especialmente após partos instrumentais ou com episiotomia. A revisão imediata do canal é crucial para identificar e suturar a origem do sangramento.

Contexto Educacional

A hemorragia pós-parto (HPP) é definida como a perda sanguínea de 500 mL ou mais após parto vaginal ou 1000 mL ou mais após cesariana, nas primeiras 24 horas. É uma das principais causas de morbimortalidade materna globalmente. A identificação rápida da causa e o manejo adequado são cruciais para o prognóstico materno. As principais causas de HPP são classicamente lembradas pelos "4 Ts": Tônus (atonia uterina), Trauma (lacerações do canal de parto, inversão uterina, rotura uterina), Tecido (retenção de restos placentários) e Trombina (coagulopatias). No caso de útero bem contraído, a atonia uterina é menos provável, direcionando a investigação para trauma do canal de parto. O manejo da HPP exige uma abordagem sistemática. Após estabilização hemodinâmica inicial, a revisão do canal de parto é prioritária quando o útero está contraído. Isso envolve inspeção cuidadosa do colo uterino, paredes vaginais e períneo para identificar e reparar lacerações. A prevenção de HPP inclui manejo ativo do terceiro estágio do trabalho de parto.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de laceração do canal de parto na hemorragia pós-parto?

Sangramento vaginal persistente e brilhante, mesmo com útero bem contraído, é um forte indicativo de laceração do canal de parto. Pode haver também dor localizada ou hematoma.

Qual a conduta inicial para hemorragia pós-parto com útero contraído?

A conduta inicial é a revisão imediata e sistemática do canal de parto (colo, vagina, períneo) sob boa iluminação e analgesia, para identificar e suturar qualquer laceração.

Como diferenciar hemorragia pós-parto por atonia uterina de laceração?

Na atonia uterina, o útero está flácido e não contraído, enquanto na laceração, o útero geralmente está bem contraído. O tipo de sangramento também pode diferir (escuro e em coágulos na atonia, mais vivo na laceração).

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