Hemorragia Pós-Parto por Atonia Uterina: Manejo Essencial

USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019

Enunciado

Multigesta (G4P3A0, 1 cesárea há 10 anos), 33 anos, é admitida em fase ativa do trabalho de parto. O período de dilatação evoluiu sem distócias. A corioamniorrexe ocorreu com dilatação total, quando então a paciente foi levada à sala de parto. O período expulsivo durou 3 horas e foi abreviado com a aplicação de fórcipe de alívio. O recém-nascido pesou 4100 gramas. Quinze minutos após a dequitação placentária, a paciente apresentou sangramento genital de grande volume, associado a importante mal-estar, tonturas e muita náusea. Exame: REG, confusa, descorada +2/+4, pressão arterial 80x40mmHg e pulso fino 130 ppm. O útero estava acima da cicatriz umbilical e amolecido.Qual são as melhores condutas nesse caso, além da estabilização hemodinâmica materna?

Alternativas

  1. A) Curagem e curetagem uterina.
  2. B) Massagem uterina bimanual e ocitocina endovenosa.
  3. C) Administração de plasma fresco e noradrenalina.
  4. D) Laparotomia exploradora e revisão de trajeto de parto.

Pérola Clínica

Hemorragia pós-parto + útero amolecido/atônico → Massagem uterina bimanual + Ocitocina IV.

Resumo-Chave

O quadro de sangramento genital de grande volume, hipotensão, taquicardia e útero amolecido e acima da cicatriz umbilical 15 minutos após a dequitação placentária é altamente sugestivo de atonia uterina, a principal causa de hemorragia pós-parto. A conduta inicial, após estabilização hemodinâmica, é a massagem uterina e o uso de ocitocina para promover a contração uterina.

Contexto Educacional

A hemorragia pós-parto (HPP) é uma das principais causas de morbimortalidade materna globalmente, sendo a atonia uterina responsável por cerca de 70-80% dos casos. A atonia uterina ocorre quando o útero não consegue contrair-se adequadamente após a dequitação placentária, deixando os vasos uterinos abertos e sangrando livremente. Fatores de risco incluem macrossomia fetal, trabalho de parto prolongado, multiparidade e uso excessivo de ocitocina durante o parto. O diagnóstico de HPP por atonia uterina é clínico, caracterizado por sangramento vaginal excessivo, útero amolecido e aumentado de volume, associado a sinais de choque hipovolêmico (hipotensão, taquicardia, palidez, confusão mental). A conduta inicial é sempre a estabilização hemodinâmica da paciente, com acesso venoso calibroso, reposição volêmica e transfusão sanguínea se necessário. Concomitantemente à estabilização, as medidas para contrair o útero devem ser iniciadas imediatamente. A massagem uterina bimanual é uma manobra manual essencial para estimular a contração. A administração de ocitocina endovenosa é o uterotônico de primeira linha, devendo ser iniciada prontamente. Caso não haja resposta, outros uterotônicos como misoprostol, metilergonovina ou carboprost podem ser utilizados, seguindo as contraindicações específicas de cada um. A falha dessas medidas pode levar à necessidade de procedimentos cirúrgicos, como a ligadura de artérias uterinas ou histerectomia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para atonia uterina?

Os fatores de risco incluem macrossomia fetal, polidramnio, trabalho de parto prolongado, multiparidade, uso de ocitocina em altas doses, corioamnionite e útero distendido.

Por que a massagem uterina bimanual é importante na atonia uterina?

A massagem uterina bimanual estimula a contração das fibras miometriais, comprimindo os vasos sanguíneos e reduzindo o sangramento, sendo uma medida de primeira linha e de rápida execução.

Quais outras medidas farmacológicas podem ser usadas na atonia uterina, além da ocitocina?

Além da ocitocina, podem ser utilizados outros uterotônicos como a metilergonovina (contraindicada em hipertensas), misoprostol e carboprost (contraindicado em asmáticas), dependendo da resposta e das contraindicações.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo