Hemorragia Pós-Parto Refratária: Conduta e Tratamento

HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 25a, G1POCOA0, foi admitida em trabalho de parto e evoluiu para parto fórcipe de Simpson para abreviação de período expulsivo. 20 minutos após a dequitação, apresentou sangramento vaginal intenso com instabilidade hemodinâmica. Exame obstétrico: útero amolecido, 5 cm acima da cicatriz umbilical. Revisão de canal de parto e curagem sem alterações. Após receber 20 UI de ocitocina intravenosa, uma ampola de ergotamina intramuscular e uma ampola de ácido tranexâmico intravenoso persiste com sangramento. A conduta a seguir é:

Alternativas

  1. A) Inserção de Balão de Bakri.
  2. B) Administração de misoprostol por via retal.
  3. C) Realização de histerectomia.
  4. D) Embolização de artérias uterinas.
  5. E) Complexo protrombínico 1500 UI intravenoso.

Pérola Clínica

HPP por atonia uterina refratária a ocitocina, ergotamina e tranexâmico → considerar misoprostol retal antes de medidas invasivas.

Resumo-Chave

A hemorragia pós-parto por atonia uterina é uma emergência obstétrica. Após falha das primeiras linhas de tratamento (ocitocina, massagem uterina, ergotamina, ácido tranexâmico), o misoprostol retal é uma opção eficaz e menos invasiva antes de procedimentos como balão de Bakri ou cirurgia.

Contexto Educacional

A hemorragia pós-parto (HPP) é definida como a perda sanguínea de 500 mL ou mais após parto vaginal ou 1000 mL ou mais após cesariana, sendo uma das principais causas de morbimortalidade materna globalmente. A atonia uterina, caracterizada por um útero amolecido e não contraído, é responsável por cerca de 70-80% dos casos de HPP, tornando seu reconhecimento e manejo rápidos cruciais para residentes de obstetrícia. O manejo inicial da HPP por atonia uterina inclui massagem uterina vigorosa e administração de uterotônicos, sendo a ocitocina a primeira escolha. Se o sangramento persiste, outras opções farmacológicas como ergotamina (metilergonovina) e ácido tranexâmico devem ser administradas. Quando o sangramento é refratário a essas medidas, a situação se torna crítica e exige uma escalada terapêutica. Nesse cenário de HPP refratária, o misoprostol, um análogo da prostaglandina E1, administrado por via retal, é uma opção eficaz e de fácil acesso, que promove a contração uterina. Sua administração pode ser mais rápida que a inserção de um balão intrauterino e menos invasiva que procedimentos cirúrgicos. Se o misoprostol também falhar, medidas mais invasivas como o tamponamento uterino com balão (ex: Balão de Bakri), suturas de compressão uterina (ex: B-Lynch), ligadura de artérias uterinas ou hipogástricas, e, em último caso, a histerectomia obstétrica, devem ser consideradas para salvar a vida da paciente. A agilidade na tomada de decisão e a coordenação da equipe são fundamentais.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de hemorragia pós-parto (HPP)?

As principais causas de HPP são classicamente lembradas pelos '4 Ts': Tônus (atonía uterina, a mais comum), Trauma (lacerações de colo, vagina ou períneo), Tecido (retenção de restos placentários) e Trombina (coagulopatias).

Quando considerar o misoprostol no manejo da HPP refratária?

O misoprostol deve ser considerado no manejo da HPP por atonia uterina quando as primeiras linhas de tratamento (ocitocina, massagem uterina, ergotamina, ácido tranexâmico) falham em controlar o sangramento, antes de escalar para procedimentos mais invasivos.

Quais são as opções de tratamento para HPP refratária à terapia medicamentosa inicial?

Após a falha da terapia medicamentosa inicial, as opções incluem misoprostol, tamponamento uterino com balão (ex: Balão de Bakri), suturas de compressão uterina (ex: B-Lynch), ligadura de artérias uterinas ou hipogástricas, e, como último recurso, a histerectomia obstétrica.

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