Hemorragia Pós-Parto: Identificação e Manejo de Emergência

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2023

Enunciado

Parturiente de termo, com quadro de placenta prévia centro-total, é submetida a cesárea. Durante o intraoperatório, o sangramento se torna de difícil controle. Assinale a alternativa CORRETA entre as abaixo relacionadas para situações como a descrita:

Alternativas

  1. A) Somente se caracterizará como hemorragia pós-parto se o volume de perda de sangue for superior a 1.000 ml, pois até então é considerado habitual para as perdas durante um parto por cesárea;
  2. B) O índice de choque (IC), que se obtém com a divisão da frequência cardíaca pela pressão arterial sistólica, permite identificar os casos de hemorragia pós-parto graves, se o IC > 1;
  3. C) A e[ecução da técnica de B-Lynch antes da histerotomia e da e[tração fetal é e[celente como método para evitar que ocorra o quadro de hemorragia pós-parto;
  4. D) Se houver a constatação de associação de acretismo placentário, a situação deverá ser rapidamente resolvida com a extração manual da placenta.

Pérola Clínica

HPP grave → Índice de Choque (FC/PAS) > 1; Acretismo placentário contraindica extração manual.

Resumo-Chave

A hemorragia pós-parto (HPP) é uma complicação grave, e o Índice de Choque (frequência cardíaca dividida pela pressão arterial sistólica) é uma ferramenta útil para identificar rapidamente casos graves de HPP, com valores > 0.9 ou > 1 indicando maior risco. A placenta prévia é um fator de risco importante para HPP, especialmente se associada a acretismo placentário, onde a extração manual da placenta é contraindicada.

Contexto Educacional

A hemorragia pós-parto (HPP) é definida como a perda sanguínea ≥ 500 mL após parto vaginal ou ≥ 1000 mL após cesariana, ou qualquer perda sanguínea que cause instabilidade hemodinâmica. É uma das principais causas de morbimortalidade materna globalmente. Fatores de risco incluem placenta prévia, acretismo placentário, atonia uterina, lacerações do trato genital e distúrbios de coagulação. A fisiopatologia da HPP é complexa e pode envolver as '4 Ts': Tônus (atonia uterina, a causa mais comum), Trauma (lacerações, ruptura uterina), Tecido (retenção de restos placentários) e Trombina (coagulopatias). O diagnóstico é clínico, e a avaliação da gravidade pode ser auxiliada pelo Índice de Choque (FC/PAS), que é um preditor precoce de choque hipovolêmico. O manejo da HPP é uma emergência e exige uma abordagem rápida e multidisciplinar. Inclui medidas de ressuscitação volêmica, uterotônicos para atonia, revisão do canal de parto e da cavidade uterina, e em casos refratários, procedimentos cirúrgicos como a técnica de B-Lynch ou histerectomia. Em casos de acretismo placentário, a extração manual é contraindicada, e a histerectomia é frequentemente necessária.

Perguntas Frequentes

Como o Índice de Choque (IC) auxilia na avaliação da gravidade da hemorragia pós-parto?

O Índice de Choque, calculado pela divisão da frequência cardíaca pela pressão arterial sistólica (FC/PAS), é um indicador precoce de choque hipovolêmico. Um IC > 0.9 ou > 1 sugere perda volêmica significativa e maior gravidade da hemorragia pós-parto, mesmo antes de alterações mais evidentes na pressão arterial.

Qual a conduta em caso de acretismo placentário diagnosticado durante a cesárea?

Em casos de acretismo placentário, a extração manual da placenta é contraindicada devido ao risco de sangramento maciço. A conduta ideal, quando possível, é deixar a placenta in situ e realizar histerectomia, ou em casos selecionados, técnicas conservadoras com embolização ou ressecção segmentar.

Quando a técnica de B-Lynch é indicada na hemorragia pós-parto?

A técnica de B-Lynch é uma sutura de compressão uterina indicada para o tratamento da hemorragia pós-parto causada por atonia uterina, após a falha de medidas farmacológicas (ocitócitos). Ela visa comprimir o útero para reduzir o sangramento, sendo realizada após o parto do bebê e da placenta.

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