Hemorragia Pós-Parto: Prevenção e Tratamento Essencial

SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2023

Enunciado

Com relação às medidas de prevenção e ao tratamento da hemorragia pós-parto (HPP), assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O uso de ocitocina endovenosa como medida terapêutica na HPP apresenta início de ação em 5 minutos e meia-vida de 15 a 60 minutos.
  2. B) O uso de ocitocina profilática após todos os partos é a medida mais eficaz na prevenção da HPP, devendo ser inserida como procedimento de rotina. O esquema mais utilizado após partos vaginais é a injeção de 20 Ui de ocitocina, em bolus, por via endovenosa.
  3. C) O clampeamento oportuno do cordão umbilical, associado à sua tração controlada, bem como a vigilância/massagem uterina após dequitação placentária podem substituir o uso universal de ocitocina profilática, pois apresentam taxas de eficácia semelhantes.
  4. D) A utilização de maleato de metilergometrina como medicação uterotônica no tratamento da HPP é contraindicada principalmente para pacientes hipertensas.
  5. E) O uso de ácido tranexâmico no tratamento da HPP fica restrito aos casos de sangramentos decorrentes de causas específicas, como coagulopatias e uso de medicações anticoagulantes, uma vez que o ácido tranexâmico é uma medicação antifibrinolítica.

Pérola Clínica

Metilergometrina é contraindicada em HPP para pacientes hipertensas devido ao risco de crise hipertensiva.

Resumo-Chave

A metilergometrina, um alcaloide do ergot, é um potente uterotônico, mas seu uso é restrito em pacientes com hipertensão ou pré-eclâmpsia devido ao risco de vasoconstrição e elevação da pressão arterial, podendo precipitar eventos cardiovasculares graves.

Contexto Educacional

A hemorragia pós-parto (HPP) é definida como a perda sanguínea ≥ 500 mL após parto vaginal ou ≥ 1000 mL após cesariana, ou qualquer perda que cause instabilidade hemodinâmica. É uma das principais causas de morbimortalidade materna globalmente, exigindo reconhecimento e manejo rápidos. A prevenção é fundamental, e o manejo ativo do terceiro estágio do trabalho de parto, com ocitocina profilática, é a medida mais eficaz. O diagnóstico da HPP é clínico, baseado na estimativa da perda sanguínea e nos sinais de choque. A fisiopatologia envolve as "4 T's": Tônus (atonía uterina, a causa mais comum), Trauma (lacerações), Tecido (retenção placentária) e Trombina (coagulopatias). A avaliação rápida da causa é crucial para direcionar o tratamento adequado. O tratamento da HPP é escalonado, começando com medidas não farmacológicas (massagem uterina, compressão bimanual) e uterotônicos (ocitocina, metilergometrina, misoprostol, carboprost). É vital conhecer as contraindicações de cada droga, como a metilergometrina em hipertensas. O ácido tranexâmico é um adjuvante importante. Em casos refratários, podem ser necessárias intervenções cirúrgicas ou radiológicas.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais medidas de prevenção da hemorragia pós-parto?

As principais medidas incluem o uso profilático de ocitocina após o parto, o clampeamento oportuno do cordão umbilical, a tração controlada do cordão e a massagem uterina após a dequitação placentária.

Por que a metilergometrina é contraindicada em pacientes hipertensas com HPP?

A metilergometrina é um vasoconstritor potente e pode causar um aumento significativo da pressão arterial, o que é perigoso em pacientes já hipertensas, podendo precipitar crises hipertensivas ou eventos cerebrovasculares.

Quando o ácido tranexâmico é indicado no tratamento da HPP?

O ácido tranexâmico é um antifibrinolítico e é indicado no tratamento da HPP quando o sangramento persiste apesar do uso de uterotônicos, independentemente da causa específica, para reduzir a perda sanguínea.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo