Hemorragia Pós-Parto: Manejo e Uso de Misoprostol

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020

Enunciado

Uma mulher, G2P1A0, com 26 anos de idade, 39 semanas de gestação, apresenta-se na maternidade em franco trabalho de parto. O obstetra realiza o parto vaginal sem intercorrências. Na assistência ao terceiro período da parição, ainda na sala de parto, logo após a saída do recém-nascido, o médico solicita que a equipe de enfermagem administre ocitocina, de forma intramuscular. O médico também realiza a tração controlada do cordão umbilical. Após o desprendimento da placenta, a paciente é encaminhada para a enfermaria. No entanto, cerca de 10 minutos depois, ela apresenta sangramento intenso, taquicardia e hipotensão. O obstetra realiza massagem uterina e solicita a instalação de ocitocina endovenosa, de soro fisiológico, além da administração de misoprostol via oral. Diante das condutas realizadas, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Na sala de parto, o médico deveria ter prescrito misoprostol ao invés de ocitocina após o desprendimento do feto.
  2. B) Caso a paciente persista com sangramento, a próxima conduta do médico será indicar histerectomia.
  3. C) O médico deveria ter realizado a extração manual da placenta, seguida de curagem ou curetagem.
  4. D) O uso de misiprostol via oral justifica-se por seu início de ação rápido.

Pérola Clínica

Misoprostol VO para HPP tem início de ação rápido, sendo útil em emergências quando EV não é prontamente disponível.

Resumo-Chave

O misoprostol, um análogo da prostaglandina E1, pode ser administrado por via oral, sublingual ou retal para o tratamento da hemorragia pós-parto devido à atonia uterina. Sua via oral, embora não seja a mais rápida, tem um início de ação relativamente rápido e é uma opção valiosa, especialmente em cenários onde a via intravenosa é difícil ou atrasada.

Contexto Educacional

A hemorragia pós-parto (HPP) é definida como a perda sanguínea ≥ 500 mL após parto vaginal ou ≥ 1000 mL após cesariana, ou qualquer perda que cause instabilidade hemodinâmica. É uma das principais causas de morbimortalidade materna globalmente. A atonia uterina é a causa mais comum, responsável por cerca de 70-80% dos casos. O manejo ativo do terceiro período do parto, incluindo a administração profilática de ocitocina, tração controlada do cordão e massagem uterina, é fundamental para prevenir a HPP. No tratamento da HPP estabelecida, a ocitocina intravenosa é a primeira linha, mas outros uterotônicos como o misoprostol são cruciais, especialmente em cenários de atonia uterina refratária ou onde a ocitocina não está disponível. O misoprostol, um análogo da prostaglandina E1, age contraindo o útero e pode ser administrado por diversas vias (oral, sublingual, retal), com um início de ação relativamente rápido. A escolha da via depende da situação clínica e da disponibilidade, mas a via oral é uma opção válida e eficaz. O manejo da HPP exige uma abordagem rápida e coordenada para evitar desfechos graves.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de hemorragia pós-parto?

As principais causas de hemorragia pós-parto são as 'quatro Ts': Tônus (atonia uterina, a mais comum), Trauma (lacerações, rotura uterina), Tecido (retenção de restos placentários) e Trombina (coagulopatias).

Qual a dose e via de administração do misoprostol na HPP?

Para HPP por atonia uterina, a dose recomendada de misoprostol é de 800 a 1000 mcg, que pode ser administrada por via oral, sublingual ou retal, dependendo da situação clínica e disponibilidade.

Quais são as medidas iniciais no manejo da HPP por atonia uterina?

As medidas iniciais incluem massagem uterina bimanual, administração de ocitocina intravenosa (primeira linha), reposição volêmica com cristaloides e identificação e tratamento da causa subjacente da atonia.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo