Hemorragia Pós-Parto: Prevenção em Pacientes de Risco

HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Parturiente de 39 anos com 39 semanas de gestação, multípara, com 5 partos normais anteriores com as seguintes informações do pré-natal: 5 consultas, última há 15 dias. Exames realizados no 1º trimestre: sorologias negativas, hemograma normal e glicemia 98mg/dL. Último exame obstétrico: Bom estado, corada, hidratada, peso 95kg (ganho ponderal de 15kg), PA: 130x90mmHg, altura uterina 39cm, BCF presente, movimentação fetal presente, toque: colo amolecido, pérvio para 1,5cm, não esvaecido, apresentação cefálica, alta e móvel. Entrou em trabalho de parto em casa, e o parto ocorreu por via vaginal sem episiotomia com dequitação espontânea após 10 minutos. Após o parto, a paciente foi encaminhada ao hospital para acompanhamento do puerpério imediato e internada. Diante do caso, assinale a alternativa correta sobre a hospitalização dessa paciente.

Alternativas

  1. A) A administração de ocitocina e a valorização da 1a hora pós-parto em ambiente hospitalar reduz a mortalidade materna em pacientes com fatores de risco como ela.
  2. B) A internação foi desnecessária, já que a paciente não apresentou intercorrências no 1º, 2º e 3º períodos do parto, dessa forma não teria problemas no 4º período do parto.
  3. C) Diante dos fatores de risco apresentados, a paciente deve ser monitorada em unidade de terapia intensiva pois o risco de hemorragia é considerado alto.
  4. D) A internação foi desnecessária, já que a recomendação de observação do sangramento puerperal e massagem uterina seriam suficientes para prevenção.

Pérola Clínica

Multípara, obesidade, PA elevada → alto risco de HPP; ocitocina e observação hospitalar no puerpério imediato são cruciais.

Resumo-Chave

Pacientes com múltiplos fatores de risco para hemorragia pós-parto (HPP), como multiparidade, obesidade e hipertensão, mesmo após um parto sem intercorrências, devem ter o puerpério imediato monitorado em ambiente hospitalar, com profilaxia ativa da HPP, incluindo ocitocina.

Contexto Educacional

A hemorragia pós-parto (HPP) é uma das principais causas de mortalidade materna globalmente. A identificação precoce de fatores de risco e a implementação de medidas profiláticas são cruciais para reduzir sua incidência e gravidade. Fatores como multiparidade, obesidade e hipertensão gestacional aumentam o risco de atonia uterina, a causa mais comum de HPP. O manejo ativo do terceiro estágio do parto, que inclui a administração de ocitocina após a saída do ombro anterior ou nascimento do bebê, tração controlada do cordão e massagem uterina, é uma estratégia comprovadamente eficaz na prevenção da HPP. Mesmo em partos que ocorrem sem intercorrências aparentes, como no caso de partos domiciliares, a presença de fatores de risco justifica a observação hospitalar no puerpério imediato. A valorização da primeira hora pós-parto em ambiente hospitalar, com monitoramento rigoroso do sangramento e da contratilidade uterina, permite a intervenção rápida em caso de atonia ou outras causas de HPP. Residentes devem estar aptos a reconhecer os fatores de risco, aplicar as medidas profiláticas e iniciar o manejo adequado da HPP, garantindo a segurança materna.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para hemorragia pós-parto (HPP)?

Os principais fatores de risco incluem multiparidade, gestação múltipla, macrossomia fetal, polidrâmnio, trabalho de parto prolongado, uso de ocitocina para indução/condução, história prévia de HPP, obesidade e distúrbios de coagulação.

Qual a importância da administração de ocitocina no pós-parto imediato?

A ocitocina é a principal medida farmacológica para a prevenção da atonia uterina, a causa mais comum de HPP. Sua administração rotineira após a dequitação da placenta promove a contração uterina, oclusão dos vasos e redução do sangramento.

Por que a primeira hora pós-parto é crítica para a vigilância materna?

A primeira hora pós-parto, conhecida como 4º período do parto, é o período de maior risco para HPP. A vigilância contínua da contração uterina, do sangramento vaginal e dos sinais vitais maternos permite a detecção precoce e o manejo rápido de complicações.

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