Hemorragia Pós-Parto: Primeira Medida na Atonia Uterina

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 25 anos, hígida, com uma cesariana prévia, teve parto vaginal espontâneo, com laceração perineal de 1° grau, sem necessidade de sutura. Após 45 minutos, apresentou agitação e sangramento vaginal aumentado. Nesse momento, a frequência cardíaca era de 110 bpm, e a pressão arterial, de 88/64 mmHg. Foram administradas ocitocina e solução fisiológica intravenosa e revisado o trajeto, sem achados anormais.Considerando os procedimentos para manejo da paciente, qual a primeira medida a ser adotada?

Alternativas

  1. A)  Realizar massagem uterina bimanual.
  2. B)  Realizar massagem uterina externa.
  3. C)  Realizar hemotransfusão.
  4. D)  Administrar solução de Ringer lactato intravenoso.
  5. E)  Inserir balão intrauterino.

Pérola Clínica

Hemorragia pós-parto com útero atônico → Primeira medida é massagem uterina bimanual.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sinais de choque hipovolêmico (taquicardia, hipotensão, agitação) e sangramento vaginal aumentado após o parto, com útero provavelmente atônico (já que o trajeto foi revisado e ocitocina administrada sem melhora). A atonia uterina é a causa mais comum de hemorragia pós-parto, e a massagem uterina bimanual é a primeira e mais eficaz medida para estimular a contração uterina e controlar o sangramento.

Contexto Educacional

A hemorragia pós-parto (HPP) é definida como a perda sanguínea ≥ 500 mL após parto vaginal ou ≥ 1000 mL após cesariana, ou qualquer perda sanguínea que cause instabilidade hemodinâmica. É uma das principais causas de morbidade e mortalidade materna globalmente. A atonia uterina, a incapacidade do útero de contrair-se adequadamente após o parto, é responsável por cerca de 70-80% dos casos de HPP. A fisiopatologia da atonia uterina envolve a falha das fibras musculares uterinas em comprimir os vasos sanguíneos que irrigavam o leito placentário, levando a sangramento contínuo. O diagnóstico é clínico, baseado na perda sanguínea excessiva, útero flácido e aumentado de volume ao exame físico, e sinais de choque hipovolêmico. A suspeita deve ser imediata em qualquer paciente com sangramento vaginal excessivo no pós-parto. O manejo da HPP por atonia uterina é uma emergência e exige uma abordagem rápida e sistemática. A primeira e mais crucial medida é a massagem uterina bimanual, que estimula a contração uterina. Concomitantemente, devem ser administrados uterotônicos (ocitocina, metilergonovina, misoprostol), realizada ressuscitação volêmica agressiva com cristaloides, e investigadas outras causas de sangramento (revisão de trajeto e cavidade uterina). A hemotransfusão deve ser iniciada precocemente se houver sinais de choque ou perda sanguínea significativa.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de hemorragia pós-parto?

As principais causas de hemorragia pós-parto são as "4 T's": Tônus (atonia uterina, a mais comum), Trauma (lacerações, rotura uterina), Tecido (retenção de restos placentários) e Trombina (coagulopatias).

Como realizar a massagem uterina bimanual?

A massagem uterina bimanual é realizada com uma mão na vagina, comprimindo o útero contra a parede abdominal, e a outra mão no abdome, massageando o fundo uterino para estimular a contração e oclusão dos vasos.

Quando se deve considerar a hemotransfusão na hemorragia pós-parto?

A hemotransfusão deve ser considerada precocemente em pacientes com hemorragia pós-parto que apresentam sinais de choque hipovolêmico, sangramento contínuo e queda significativa dos níveis de hemoglobina, para restaurar a capacidade de transporte de oxigênio.

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