CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2025
A hemorragia pós-parto é a principal causa de mortalidade materna em todo o mundo, responsável por cerca de 25% dos óbitos maternos. Com o tratamento de início precoce e agressivo no escalonamento das medidas, é possível evitar a Tríade Letal do choque hemorrágico que consiste em:
Tríade Letal do choque hemorrágico = Acidose, Hipotermia e Coagulopatia, um ciclo vicioso que agrava a HPP.
A tríade letal do choque hemorrágico, composta por acidose metabólica, hipotermia e coagulopatia, é um ciclo vicioso que se instala em quadros de hemorragia grave, como a hemorragia pós-parto. Cada componente agrava os outros, dificultando a hemostasia e aumentando a mortalidade. O tratamento precoce e agressivo visa quebrar essa tríade.
A Hemorragia Pós-Parto (HPP) é definida como a perda sanguínea ≥ 500 mL após parto vaginal ou ≥ 1000 mL após cesariana, ou qualquer perda sanguínea que cause instabilidade hemodinâmica. É a principal causa de mortalidade materna globalmente, responsável por cerca de 25% dos óbitos. A maioria das HPPs ocorre nas primeiras 24 horas pós-parto (HPP primária), sendo a atonia uterina a causa mais comum. O reconhecimento e tratamento rápidos são vitais para evitar a progressão para choque hemorrágico e suas complicações. Em casos de HPP grave e choque hemorrágico, pode-se instalar a temida Tríade Letal: acidose metabólica, hipotermia e coagulopatia. A acidose resulta da hipoperfusão tecidual e metabolismo anaeróbico, deprimindo a função cardíaca e inibindo a coagulação. A hipotermia, frequentemente iatrogênica pela infusão de fluidos frios e exposição, prejudica a função enzimática da coagulação e a agregação plaquetária. A coagulopatia, por sua vez, é multifatorial, decorrente da diluição, consumo de fatores e disfunção plaquetária induzida pela acidose e hipotermia. Esses três componentes interagem em um ciclo vicioso, agravando o sangramento e dificultando a ressuscitação. O manejo da HPP e do choque hemorrágico exige uma abordagem escalonada e agressiva, visando quebrar a tríade letal. Isso inclui controle da fonte do sangramento (massagem uterina, ocitocina, balão de Bakri, cirurgia), reposição volêmica e transfusional (com protocolo de transfusão maciça), correção da acidose (com bicarbonato, se indicado), aquecimento do paciente e administração de hemoderivados (plasma fresco congelado, plaquetas, crioprecipitado) para corrigir a coagulopatia. A monitorização contínua e a comunicação eficaz da equipe são essenciais para o sucesso.
A acidose metabólica, resultante da hipoperfusão tecidual e metabolismo anaeróbico, deprime a função miocárdica, diminui a resposta a catecolaminas e inibe a cascata de coagulação. Isso agrava o choque e a hemorragia, criando um ciclo vicioso que dificulta a recuperação.
A hipotermia, frequentemente induzida pela infusão rápida de fluidos frios e exposição do paciente, retarda as reações enzimáticas da cascata de coagulação e prejudica a função plaquetária. Isso exacerba a coagulopatia, aumentando a perda sanguínea e dificultando o controle da hemorragia.
A coagulopatia é central na tríade, sendo causada pela diluição dos fatores de coagulação e plaquetas devido à reposição volêmica maciça, consumo de fatores na hemorragia ativa e disfunção plaquetária pela acidose e hipotermia. A incapacidade de formar coágulos eficazes perpetua a hemorragia e o choque.
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