Hemorragia Pós-Parto: Manejo da Atonia Uterina e Choque

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023

Enunciado

Uma paciente de 28 anos, em pós parto imediato (seu terceiro parto vaginal), teve parto a termo rápido e a dequitação da placenta sem intercorrências. A revisão perineal foi realizada e estava normal, sem necessidade de sutura. Entretanto, 30 minutos após o parto, a paciente apresentou-se ansiosa e com queixa de tontura e de falta de ar. Ao exame físico, apresenta palidez e extremidades frias, frequência cardíaca de 120 batimentos por minuto e pressão arterial de 90 × 55 mmHg. O útero apresenta-se amolecido e quatro centímetros acima da cicatriz umbilical. A paciente apresenta sangramento vaginal intenso. Ela já possuía um acesso venoso, por meio do qual foi iniciada a expansão volumétrica com soro fisiológico aquecido. Com relação ao quadro apresentado, assinale a opção correta. 

Alternativas

  1. A) A administração do ácido tranexâmico deverá ser iniciada e paciente encaminhada para histerectomia.
  2. B) O uso de ácido tranexâmico por via endovenosa está indicado assim que possível, além de drogas uterotônicas.
  3. C) A administração de drogas uterotônicas é necessária, mas o ácido tranexâmico não deve ser usado, pela ausência de lacerações de trajeto.
  4. D) O uso de ácido tranexâmico por via endovenosa pelo menos 1 hora após o início da ocitocina é indicado, sobretudo se não houver resposta às drogas uterotônicas.

Pérola Clínica

HPP por atonia uterina + choque → uterotônicos + ácido tranexâmico EV (nas 3h) + expansão volêmica.

Resumo-Chave

O quadro clínico é de hemorragia pós-parto (HPP) por atonia uterina, a causa mais comum. O manejo inicial inclui massagem uterina, uterotônicos (ocitocina), expansão volêmica e, crucialmente, ácido tranexâmico por via endovenosa, que deve ser administrado o mais rápido possível dentro de 3 horas do início do sangramento.

Contexto Educacional

A hemorragia pós-parto (HPP) é definida como a perda sanguínea ≥ 500 mL após parto vaginal ou ≥ 1000 mL após cesariana, ou qualquer perda que cause instabilidade hemodinâmica. É uma das principais causas de morbimortalidade materna globalmente. A atonia uterina, caracterizada por um útero amolecido e não contraído, é a etiologia mais comum, respondendo pela maioria dos casos. O reconhecimento precoce e a intervenção rápida são fundamentais para o prognóstico materno. O manejo da HPP por atonia uterina é uma emergência obstétrica que exige uma abordagem sistemática. As primeiras medidas incluem massagem uterina bimanual para estimular a contração, seguida pela administração de drogas uterotônicas, sendo a ocitocina a primeira escolha. A expansão volêmica com cristaloides aquecidos é essencial para combater o choque hipovolêmico, e a paciente deve ter acesso venoso calibroso. A identificação dos fatores de risco, como multiparidade, macrossomia fetal e trabalho de parto prolongado, é importante para a prevenção. Um avanço significativo no manejo da HPP é o uso do ácido tranexâmico. Este antifibrinolítico, quando administrado por via endovenosa nas primeiras 3 horas do início do sangramento, demonstrou reduzir a mortalidade por HPP, independentemente da causa subjacente. É crucial que residentes e profissionais de saúde estejam atualizados com as diretrizes que recomendam seu uso precoce. A histerectomia é uma medida de último recurso, considerada apenas quando outras intervenções falham em controlar o sangramento e a vida da paciente está em risco iminente.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de hemorragia pós-parto imediata?

As principais causas de hemorragia pós-parto imediata são as '4 Ts': Tônus (atonía uterina, a mais comum), Trauma (lacerações de colo, vagina, períneo), Tecido (retenção de restos placentários) e Trombina (coagulopatias). A atonia uterina responde por cerca de 70-80% dos casos.

Quando o ácido tranexâmico está indicado na hemorragia pós-parto?

O ácido tranexâmico está indicado em todos os casos de hemorragia pós-parto com sangramento significativo, independentemente da etiologia (atonía, trauma, etc.), e deve ser administrado o mais rápido possível, idealmente dentro de 3 horas do início do sangramento, para reduzir a mortalidade.

Qual a conduta inicial para uma paciente com suspeita de atonia uterina e choque hipovolêmico?

A conduta inicial inclui massagem uterina bimanual, administração de ocitocina (primeira linha de uterotônico), expansão volêmica agressiva com cristaloides aquecidos, e administração precoce de ácido tranexâmico. Monitorização rigorosa dos sinais vitais e preparação para outras intervenções são cruciais.

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