Hemorragia Pós-Parto: Critérios e Acionamento de Código

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2024

Enunciado

Puérpera, com parto vaginal a termo de recémnascido de 4200g, apresentou sangramento vaginal intenso logo após a expulsão da placenta. A monitorização revelou, naquele momento, pulso de 110 bpm e pressão arterial de 85 x 55mmHg. Oito minutos após a infusão endovenosa de ocitocina e administração intramuscular de ergometrina, houve redução significativa do sangramento. Peso das compressas ao final do procedimento de 700g. A enfermeira acionou corretamente o código de hemorragia pós-parto, pois:

Alternativas

  1. A) as compressas pesaram mais de 500g.
  2. B) houve instabilidade hemodinâmica.
  3. C) foram necessários mais de um agente uterotônico.
  4. D) o sangramento foi controlado após o quinto minuto. 

Pérola Clínica

HPP = perda sanguínea ≥ 500mL OU instabilidade hemodinâmica. Instabilidade hemodinâmica é critério prioritário para acionamento de código.

Resumo-Chave

A hemorragia pós-parto (HPP) é definida como perda sanguínea de 500 mL ou mais após parto vaginal, ou 1000 mL ou mais após cesariana, ou qualquer perda sanguínea que cause instabilidade hemodinâmica. A presença de instabilidade hemodinâmica, como taquicardia e hipotensão, é um critério imediato para acionar o protocolo de HPP, independentemente do volume de sangramento estimado inicialmente.

Contexto Educacional

A hemorragia pós-parto (HPP) é uma das principais causas de morbimortalidade materna globalmente. Sua definição clássica envolve a perda sanguínea de 500 mL ou mais após parto vaginal ou 1000 mL ou mais após cesariana. No entanto, é crucial entender que a HPP também é diagnosticada e o código de emergência deve ser acionado sempre que houver sinais de instabilidade hemodinâmica, independentemente do volume de sangramento estimado. A instabilidade hemodinâmica, manifestada por taquicardia (pulso > 100 bpm), hipotensão (PA < 90/60 mmHg ou queda de 15% na PA basal), ou outros sinais de choque (palidez, sudorese, alteração do nível de consciência), é um indicador mais sensível e urgente de gravidade do que a quantificação exata do sangramento. A capacidade de reconhecer rapidamente esses sinais e iniciar o manejo adequado é vital para a sobrevivência da paciente. Para residentes, dominar os critérios de HPP e o protocolo de acionamento é fundamental. O manejo inicial envolve a identificação da causa (as "4 Ts": Tônus, Trauma, Tecido, Trombina), massagem uterina, administração de uterotônicos e reposição volêmica agressiva. A resposta rápida e coordenada da equipe é essencial para um desfecho favorável.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para o diagnóstico de hemorragia pós-parto (HPP)?

A HPP é definida como perda sanguínea de 500 mL ou mais após parto vaginal, ou 1000 mL ou mais após cesariana. Mais importante ainda, qualquer perda sanguínea que cause instabilidade hemodinâmica (como taquicardia, hipotensão, oligúria, alteração do nível de consciência) é considerada HPP e requer intervenção imediata.

Por que a instabilidade hemodinâmica é um critério tão importante para acionar o código de HPP?

A instabilidade hemodinâmica indica que o corpo da paciente não está mais conseguindo compensar a perda sanguínea, levando a uma perfusão inadequada de órgãos vitais. Acionar o código de HPP com base nesse critério permite uma resposta rápida e coordenada da equipe, essencial para prevenir o choque hipovolêmico grave e suas complicações.

Quais são as principais causas de hemorragia pós-parto e como são manejadas inicialmente?

As principais causas de HPP são as '4 Ts': Tônus (atonia uterina, a mais comum), Trauma (lacerações, rotura uterina), Tecido (retenção de restos placentários) e Trombina (coagulopatias). O manejo inicial inclui massagem uterina, uterotônicos (ocitocina, ergometrina, misoprostol), reposição volêmica e identificação/tratamento da causa subjacente.

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