Hemorragia Pós-Parto Refratária: Manejo com Misoprostol

HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 25a, G1POCOA0, foi admitida em trabalho de parto e evoluiu para parto fórcipe de Simpson para abreviação de período expulsivo. 20 minutos após a dequitação, apresentou sangramento vaginal intenso com instabilidade hemodinâmica. Exame obstétrico: útero amolecido, 5 cm acima da cicatriz umbilical. Revisão de canal de parto e curagem sem alterações. Após receber 20 UI de ocitocina intravenosa, uma ampola de ergotamina intramuscular e uma ampola de ácido tranexâmico intravenoso persiste com sangramento. A CONDUTA A SEGUIR É:

Alternativas

  1. A) Inserção de Balão de Bakri.
  2. B) Administração de misoprostol por via retal.
  3. C) Realização de histerectomia.
  4. D) Embolização de artérias uterinas.
  5. E) Complexo protrombínico 1500 UI intravenoso.

Pérola Clínica

HPP por atonia uterina refratária a ocitocina/ergotamina → Misoprostol retal = próxima linha de uterotônico.

Resumo-Chave

A hemorragia pós-parto (HPP) por atonia uterina é a principal causa de mortalidade materna. Quando o sangramento persiste após a administração de ocitocina e ergotamina, e outras causas (lacerações, retenção placentária) foram excluídas, a próxima etapa é a administração de outros agentes uterotônicos, como o misoprostol por via retal, que age rapidamente e é eficaz na contração uterina.

Contexto Educacional

A hemorragia pós-parto (HPP) é definida como a perda sanguínea igual ou superior a 500 mL após parto vaginal ou 1000 mL após cesariana, dentro de 24 horas do parto. É uma das principais causas de morbimortalidade materna globalmente. A atonia uterina, caracterizada por um útero amolecido e não contraído após a dequitação placentária, é a causa mais comum de HPP, respondendo por até 80% dos casos. O manejo inicial da HPP por atonia uterina inclui massagem uterina e administração de uterotônicos, sendo a ocitocina a primeira escolha. Se o sangramento persistir, outros uterotônicos como a metilergonovina (ergotamina) e o misoprostol devem ser considerados. O misoprostol, um análogo da prostaglandina E1, pode ser administrado por via retal, oral ou sublingual, sendo a via retal particularmente útil em emergências devido à sua rápida absorção e eficácia mesmo em pacientes com choque. Quando a HPP é refratária às medidas farmacológicas iniciais, um algoritmo de manejo deve ser seguido, que pode incluir a inserção de balão de tamponamento uterino (como o Balão de Bakri), suturas de compressão uterina (ex: B-Lynch), ligadura de artérias uterinas ou hipogástricas, e, como último recurso, a histerectomia. A rápida identificação da causa, a reposição volêmica agressiva e a intervenção escalonada são cruciais para salvar a vida da paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de hemorragia pós-parto (HPP)?

As '4 Ts' são as principais causas: Tônus (atonía uterina, a mais comum), Trauma (lacerações de colo, vagina, períneo), Tecido (retenção de restos placentários) e Trombina (coagulopatias). A atonia uterina é responsável por cerca de 70-80% dos casos.

Por que o misoprostol é administrado por via retal na HPP?

A via retal do misoprostol é preferida em situações de HPP grave e instabilidade hemodinâmica porque permite uma absorção rápida e eficaz, mesmo quando o acesso intravenoso é difícil ou a perfusão periférica está comprometida. Ele causa contrações uterinas potentes, auxiliando na hemostasia.

Quando considerar outras medidas como o Balão de Bakri ou histerectomia?

O Balão de Bakri é uma medida mecânica que pode ser usada após a falha de uterotônicos ou como adjuvante para tamponamento uterino. A histerectomia é considerada uma medida de último recurso, salvadora de vidas, quando todas as outras intervenções clínicas e cirúrgicas conservadoras falharam em controlar o sangramento.

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