USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020
Paciente, 36 anos, secundigesta com parto normal há 16 anos, idade gestacional 39 6/7 semanas. Pré-natal sem intercorrências. Encontra-se no centro obstétrico em trabalho de parto espontâneo. Exame clínico: bom estado geral, normotensa, normocárdica, afebril. Exame obstétrico: altura uterina 39 cm. Partograma e cardiotocografia abaixo: A conduta obstétrica adequada foi realizada e a paciente apresentou hemorragia e choque hemorrágico. Cite as 4 causas de hemorragia obstétrica a serem pesquisadas.
HPP → 4 Ts: Tônus (Atonia), Trauma (Laceração), Tecido (Restos), Trombina (Coagulopatia).
A hemorragia pós-parto é uma emergência médica onde a identificação sistemática da causa através dos '4 Ts' permite intervenções direcionadas e salvadoras.
A Hemorragia Pós-Parto (HPP) é definida classicamente como a perda sanguínea superior a 500 ml após parto vaginal ou 1000 ml após cesariana, ou qualquer perda que resulte em instabilidade hemodinâmica. O manejo deve ser imediato, utilizando o protocolo de 'Hora de Ouro', que prioriza a ressuscitação volêmica e a identificação da etiologia. O mnemônico dos 4 Ts (Tônus, Trauma, Tecido e Trombina) organiza a investigação diagnóstica. O tratamento inicial da atonia (Tônus) envolve massagem uterina bimanual (manobra de Hamilton) e uterotônicos (ocitocina, metilergometrina, misoprostol). Se houver suspeita de trauma, a sutura imediata é necessária. A retenção de tecido exige curetagem ou revisão manual, e as coagulopatias demandam reposição de fatores e hemoderivados conforme a necessidade clínica.
A causa mais comum de hemorragia pós-parto (HPP) é a atonia uterina, correspondendo a cerca de 70-80% dos casos. Ela ocorre quando o miométrio não se contrai adequadamente após a saída da placenta para ocluir os vasos sanguíneos no sítio de inserção placentária (processo conhecido como ligaduras vivas de Pinard).
O 'T' de Trauma refere-se a lesões no trato genital ocorridas durante o parto. Isso inclui lacerações de períneo, vagina e colo uterino, além de inversão uterina e ruptura uterina. Deve-se suspeitar de trauma quando o útero está bem contraído (tônus preservado), mas a paciente mantém sangramento ativo e brilhante.
O 'T' de Tecido envolve a retenção de restos placentários ou coágulos que impedem a contração uterina eficaz; a revisão da placenta após o secundamento é crucial. O 'T' de Trombina refere-se a distúrbios de coagulação, sejam eles pré-existentes (como Doença de von Willebrand) ou adquiridos (como a CIVD decorrente de descolamento prematuro de placenta ou pré-eclâmpsia grave).
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo