Hemorragia Pós-Parto Refratária: Conduta e Manejo

Fundhacre - Fundação Hospital Estadual do Acre — Prova 2015

Enunciado

Puérpera, 36 anos, no pós-parto vaginal imediato passa a apresentar sangramento transvaginal volumoso associado à tontura e náuseas que persiste depois de massagem uterina, doses repetidas de uterotônicos, revisão do canal de parto e múltiplas transfusões. Qual das condutas abaixo deve ser feita a seguir?

Alternativas

  1. A) Histerectomia; 
  2. B) Curagem uterina;
  3. C) Embolização uterina;
  4. D) Ligadura das artérias uterinas.

Pérola Clínica

HPP refratária a uterotônicos e massagem → investigar retenção placentária/lacerações; curagem uterina para restos.

Resumo-Chave

Em casos de hemorragia pós-parto persistente após medidas iniciais como massagem uterina e uterotônicos, e revisão do canal de parto, a próxima etapa crucial é a exploração da cavidade uterina para identificar e remover possíveis restos placentários, o que pode ser feito por curagem uterina.

Contexto Educacional

A hemorragia pós-parto (HPP) é definida como a perda sanguínea maior ou igual a 500 mL após parto vaginal ou 1000 mL após cesariana, sendo uma das principais causas de morbimortalidade materna globalmente. A atonia uterina é a causa mais comum (cerca de 70-80%), seguida por trauma do canal de parto, retenção de restos placentários e coagulopatias. O reconhecimento precoce e a intervenção rápida são cruciais para um desfecho favorável. O manejo inicial da HPP envolve massagem uterina vigorosa, administração de uterotônicos (ocitocina, misoprostol, metilergonovina), esvaziamento da bexiga e revisão do canal de parto para identificar e suturar lacerações. Se o sangramento persistir, a exploração manual da cavidade uterina para remoção de restos placentários ou a realização de curagem uterina são passos fundamentais antes de escalar para procedimentos mais invasivos. A falha dessas medidas indica a necessidade de considerar balão intrauterino, suturas compressivas uterinas (ex: B-Lynch), ligadura de artérias uterinas ou ilíacas internas, embolização arterial se disponível, e, em último caso, histerectomia. A compreensão da sequência de intervenções é vital para residentes, pois permite uma abordagem sistemática e eficaz diante de uma emergência obstétrica. A prioridade é sempre controlar o sangramento e estabilizar a paciente, minimizando a necessidade de procedimentos mais radicais. A capacidade de diferenciar as causas e aplicar a conduta correta em cada etapa é um diferencial importante na prática clínica e em provas de residência.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de hemorragia pós-parto?

As principais causas são as "4 T's": Tônus (atonia uterina), Trauma (lacerações), Tecido (retenção placentária) e Trombina (coagulopatias).

Quando se indica a curagem uterina na HPP?

A curagem uterina é indicada quando há suspeita ou confirmação de retenção de restos placentários após o parto, especialmente se o sangramento persistir apesar de outras medidas.

Quais são as opções de tratamento para HPP refratária?

Após medidas iniciais, as opções incluem exploração da cavidade uterina, balão de Bakri, suturas compressivas (B-Lynch), ligadura de artérias uterinas ou ilíacas internas, embolização arterial e, como último recurso, histerectomia.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo