UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020
Mulher, 32a, G5P4C0A0, idade gestacional= 39 semanas + 5 dias, evoluiu para parto normal, sob analgesia peridural, com recém-nascido de 4100g. Revisão de canal de parto sem lacerações. A dequitação ocorreu após 60 minutos e, nesse momento, iniciou sangramento abundante via vaginal. Exame físico: PA= 108x62 mmHg; FC= 115 bpm, pulsos finos e mucosas descoradas ++/4+. DIANTE DESTE QUADRO, ALÉM DA REPOSIÇÃO VOLÊMICA, A CONDUTA IMEDIATA É:
Sangramento pós-parto + útero atônico/retenção → Massagem uterina, uterotônicos, ácido tranexâmico e revisão uterina.
A hemorragia pós-parto (HPP) é uma emergência obstétrica. Neste caso, o sangramento abundante após 60 minutos da dequitação, associado a sinais de hipovolemia e útero possivelmente atônico ou com retenção de restos, exige conduta imediata e agressiva. A massagem uterina e uterotônicos são as primeiras linhas para atonia, enquanto a revisão da cavidade uterina (curagem/curetagem) é essencial para descartar e remover restos placentários. O ácido tranexâmico é um antifibrinolítico adjuvante.
A hemorragia pós-parto (HPP) é definida como a perda sanguínea igual ou superior a 500 mL após parto vaginal ou 1000 mL após cesariana, ou qualquer perda sanguínea que cause instabilidade hemodinâmica. É uma das principais causas de morbimortalidade materna globalmente, exigindo reconhecimento e manejo rápidos e eficazes. A principal causa de HPP é a atonia uterina (cerca de 70-80% dos casos), mas outras causas incluem trauma do canal de parto (lacerações), retenção de restos placentários e coagulopatias. O caso apresentado, com sangramento abundante após 60 minutos da dequitação e sinais de hipovolemia, sugere fortemente HPP, e a demora na dequitação (60 minutos) levanta a suspeita de retenção placentária ou atonia uterina. O manejo inicial da HPP é sempre agressivo e multifacetado, incluindo reposição volêmica imediata, massagem uterina vigorosa para estimular a contração, e administração de uterotônicos (ocitocina é a primeira escolha). O ácido tranexâmico, um antifibrinolítico, é um adjuvante importante. A revisão manual da cavidade uterina (curagem) é essencial para descartar e remover restos placentários ou coágulos que possam estar impedindo a contração uterina. Em casos refratários, outras medidas como balão intrauterino, suturas compressivas (B-Lynch) ou histerectomia podem ser necessárias. Residentes devem estar preparados para agir rapidamente e de forma coordenada em cenários de HPP.
As quatro principais causas, conhecidas como os "4 Ts", são: Tônus (atonia uterina, a mais comum), Trauma (lacerações de colo, vagina ou períneo, inversão uterina), Tecido (retenção de restos placentários ou coágulos) e Trombina (coagulopatias).
A massagem uterina vigorosa estimula a contração do miométrio, que é essencial para comprimir os vasos sanguíneos e controlar o sangramento. Os uterotônicos (como ocitocina, metilergonovina, misoprostol) potencializam essa contração, sendo a primeira linha farmacológica para atonia uterina.
A revisão da cavidade uterina (curagem) é indicada quando há suspeita de retenção de restos placentários ou coágulos, ou quando o sangramento persiste apesar das medidas iniciais para atonia. A curetagem pode ser necessária para remover tecidos aderidos ou fragmentos maiores.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo