Hemorragia Pós-Parto: Manejo da Atonia Uterina Refratária

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2022

Enunciado

Você está atendendo uma paciente do sexo feminino de 30 anos de idade, primigesta, com idade gestacional de 38 semanas e 3 dias, que está internada em trabalho de parto e evoluiu para parto vaginal. Foi realizada a revisão do canal de parto, com evidência de laceração mediana de 2cm, grau I, não sangrante. Duas horas após o parto, a paciente iniciou com quadro de sangramento abundante por via vaginal. Ao exame físico, apresentava-se descorada (2+/4+), com útero amolecido e palpável 1cm acima da cicatriz umbilical. Foi visto também sangramento vaginal com coágulos, em grande quantidade.Após a realização de medidas clínicas, a paciente manteve o quadro de sangramento importante e hipotonia uterina. Qual conduta deve ser adotada neste momento?

Alternativas

  1. A) Transfusão de aférese de plaquetas para a paciente.
  2. B) Fazer histerectomia por via vaginal.
  3. C) Administrar ácido tranexâmico para a paciente.
  4. D) Laparotomia exploradora para ligaduras hemostáticas.
  5. E) Uso de balão de tamponamento intrauterino.

Pérola Clínica

Hemorragia pós-parto por atonia uterina refratária → Balão de tamponamento intrauterino.

Resumo-Chave

Em caso de hemorragia pós-parto por atonia uterina que não responde às medidas clínicas iniciais (massagem uterina, ocitócicos), o balão de tamponamento intrauterino é uma opção eficaz e menos invasiva para controlar o sangramento antes de considerar intervenções cirúrgicas mais complexas.

Contexto Educacional

A hemorragia pós-parto (HPP) é definida como a perda sanguínea ≥ 500 mL após parto vaginal ou ≥ 1000 mL após cesariana, sendo a principal causa de mortalidade materna globalmente. A atonia uterina é responsável por cerca de 70-80% dos casos de HPP, caracterizada pela falha do útero em contrair-se adequadamente após a expulsão da placenta, levando à falha na compressão dos vasos uterinos. É crucial reconhecer precocemente os sinais de HPP e iniciar o tratamento. O diagnóstico de atonia uterina é clínico, com útero palpável, amolecido e sangramento vaginal profuso. O manejo inicial inclui massagem uterina bimanual, administração de ocitócicos (ocitocina, metilergonovina, misoprostol) e avaliação da integridade do canal de parto e da placenta. Se essas medidas falharem e o sangramento persistir, o balão de tamponamento intrauterino, como o balão de Bakri, é uma intervenção de segunda linha eficaz e menos invasiva, que aplica pressão direta nas paredes uterinas para controlar o sangramento. A escolha da conduta deve seguir um algoritmo escalonado, visando a preservação uterina sempre que possível. O balão de tamponamento oferece uma ponte para estabilização da paciente, permitindo tempo para mobilizar recursos adicionais ou preparar para procedimentos mais invasivos, como ligadura de artérias uterinas ou histerectomia, se as medidas conservadoras falharem. A rápida intervenção e a abordagem sistemática são fundamentais para melhorar o prognóstico materno.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de atonia uterina pós-parto?

A atonia uterina é caracterizada por um útero amolecido, palpável acima da cicatriz umbilical, e sangramento vaginal abundante com coágulos, que não cessa após a expulsão da placenta.

Quando o balão de tamponamento uterino é indicado na hemorragia pós-parto?

O balão de tamponamento é indicado quando a hemorragia pós-parto por atonia uterina persiste após medidas iniciais como massagem uterina e uso de ocitócicos, servindo como uma opção conservadora antes de cirurgias.

Quais são as principais causas de hemorragia pós-parto?

As principais causas são as '4 Ts': Tônus (atonia uterina), Trauma (lacerações, inversão uterina), Tecido (retenção de restos placentários) e Trombina (coagulopatias).

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