Hemorragia Pós-Parto: Manejo da Atonia Uterina

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2024

Enunciado

Plantonista do centro obstétrico é chamado pela enfermagem para avaliar multípara que se encontra no período de Greenberg. Ao exame físico, paciente apresenta-se vígil, orientada, hipocorada (+/++++), frequência cardíaca de 96 batimentos por minuto, pressão arterial de 100x 70mmhg, fundo uterino palpável a 2 cm acima da cicatriz umbilical, com tônus diminuído e sangramento transvaginal aumentado com coágulos. Considerando o índice de choque, qual a conduta imediata adequada para essa paciente?

Alternativas

  1. A) Infusão de 1g de transamin e revisão do canal de parto.
  2. B) Infusão de 1g de transamin e massagem uterina bimanual.
  3. C) Infusão de ocitocina e transfusão maciça de hemocomponente.
  4. D) Hidratação com 2 litros de soro ringer lactato e reavaliação em 2 horas.

Pérola Clínica

HPP por atonia uterina → massagem uterina bimanual + uterotônicos + ácido tranexâmico para controle rápido do sangramento.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sinais de hemorragia pós-parto (HPP) devido à atonia uterina, caracterizada por útero com tônus diminuído e sangramento excessivo. A conduta imediata deve focar em medidas para contrair o útero e controlar o sangramento, como a massagem uterina bimanual e a administração de uterotônicos, além do ácido tranexâmico, que é um antifibrinolítico eficaz na redução da mortalidade por HPP. O índice de choque (FC/PAS) de 0.96 (96/100) indica um choque compensado, mas requer intervenção imediata.

Contexto Educacional

A hemorragia pós-parto (HPP) é uma das principais causas de morbimortalidade materna globalmente, sendo a atonia uterina a etiologia mais comum. O período de Greenberg, correspondente à primeira hora após o parto, é crucial para a detecção precoce e manejo da HPP, pois é quando a maioria dos casos de atonia uterina se manifesta. A identificação de sinais como útero flácido, sangramento excessivo e alterações hemodinâmicas (mesmo que compensadas, como indicado pelo índice de choque) exige ação imediata. O manejo da HPP por atonia uterina é multifacetado e deve ser iniciado prontamente. A massagem uterina bimanual é uma medida mecânica eficaz para estimular a contração uterina. Farmacologicamente, a ocitocina é o uterotônico de primeira linha, mas outros agentes como misoprostol, metilergonovina ou carboprost podem ser utilizados. O ácido tranexâmico, um antifibrinolítico, demonstrou reduzir a mortalidade por HPP quando administrado precocemente. A avaliação do índice de choque (frequência cardíaca / pressão arterial sistólica) é uma ferramenta simples e rápida para estimar a gravidade da perda sanguínea e a necessidade de intervenção. Um índice > 0.9 indica choque compensado, mas já requer atenção e intervenção. A conduta deve ser sistemática, incluindo reposição volêmica, controle da hemorragia e, se necessário, transfusão de hemocomponentes, sempre buscando a causa subjacente do sangramento.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de atonia uterina no pós-parto?

A atonia uterina se manifesta por um útero amolecido, mal contraído e palpável acima da cicatriz umbilical, acompanhado de sangramento vaginal excessivo, muitas vezes com coágulos.

Qual a conduta inicial para hemorragia pós-parto por atonia?

A conduta inicial inclui massagem uterina bimanual vigorosa, administração de uterotônicos como ocitocina, e ácido tranexâmico 1g IV, além de avaliação do índice de choque e reposição volêmica.

O que é o período de Greenberg no parto?

O período de Greenberg, ou quarto período do parto, corresponde à primeira hora pós-parto, um momento crítico para a vigilância de complicações como a hemorragia pós-parto, devido à máxima incidência de atonia uterina.

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