Hemorragia Pós-Parto: Reconhecimento e Manejo Imediato

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2021

Enunciado

Uma mulher, de 27 anos de idade, teve uma cesárea há 2 horas. Seu acompanhante notou um sangramento vaginal e chamou a equipe de enfermagem. Na checagem dos sinais vitais, foi constatada uma pressão arterial = 90/50 mmHg e um pulso de 112 = bpm. Frente a esse quadro, assinale a alternativa correta. 

Alternativas

  1. A) A paciente apresenta quadro de instabilidade hemodinâmica, portanto, medidas de ressuscitação devem ser iniciadas imediatamente. 
  2. B) A paciente apresenta sinais vitais estáveis para o período puerperal, porém é importante que seja monitorizada em terapia intensiva pelo alto risco de sangramento em período puerperal. 
  3. C) A paciente apresenta estabilidade hemodinâmica e sinais vitais normais para o período de puerpério. É necessário um controle mais frequente de sinais vitais e sangramento.
  4. D) A paciente apresenta um quadro que pode indicar dano cerebral, portanto, deve ser transferida para Unidade de Terapia Intensiva imediatamente.

Pérola Clínica

Pós-cesárea + sangramento + PA 90/50 mmHg + FC 112 bpm → Choque hipovolêmico = ressuscitação imediata.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sinais clássicos de choque hipovolêmico (hipotensão e taquicardia) no pós-parto imediato, um período de alto risco para hemorragia. A instabilidade hemodinâmica exige intervenção imediata para estabilizar a paciente e investigar a causa do sangramento.

Contexto Educacional

A hemorragia pós-parto (HPP) é definida como a perda sanguínea de 500 mL ou mais após parto vaginal ou 1000 mL ou mais após cesariana, dentro de 24 horas. É uma das principais causas de morbimortalidade materna globalmente. O reconhecimento precoce e o manejo agressivo são cruciais para o prognóstico. A instabilidade hemodinâmica, manifestada por hipotensão e taquicardia, indica um quadro de choque hipovolêmico que exige intervenção imediata. A fisiopatologia da HPP geralmente envolve uma das "4 Ts": Tônus (atonía uterina, a causa mais comum), Trauma (lacerações de colo, vagina, períneo ou rotura uterina), Tecido (retenção de restos placentários ou coágulos) e Trombina (coagulopatias preexistentes ou adquiridas). No caso apresentado, a taquicardia e hipotensão são sinais compensatórios de perda volêmica significativa, indicando que a paciente já está em choque. O manejo inicial da HPP com instabilidade hemodinâmica inclui a ativação de um protocolo de resposta rápida, estabelecimento de dois acessos venosos calibrosos, infusão rápida de cristaloides (ex: soro fisiológico 0,9%), coleta de exames laboratoriais (hemograma, coagulograma, tipagem sanguínea), e início de medidas para identificar e tratar a causa do sangramento, como massagem uterina e uso de uterotônicos para atonia. A transfusão de hemoderivados deve ser considerada precocemente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de choque hipovolêmico em uma paciente pós-parto?

Os principais sinais incluem hipotensão (PA < 90/60 mmHg), taquicardia (> 100 bpm), palidez, sudorese, tempo de enchimento capilar prolongado e alteração do nível de consciência.

Qual a conduta inicial para uma paciente com hemorragia pós-parto e instabilidade hemodinâmica?

A conduta inicial envolve acionar a equipe de emergência, garantir acesso venoso calibroso, iniciar infusão rápida de cristaloides, coletar exames laboratoriais, e identificar e tratar a causa do sangramento.

Quais são as principais causas de hemorragia pós-parto?

As "4 Ts" são as principais causas: Tônus (atonía uterina), Trauma (lacerações de trajeto, rotura uterina), Tecido (retenção de restos placentários) e Trombina (coagulopatias).

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