INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022
Adolescente de 14 anos de idade, primípara, em puerpério imediato de parto vaginal, apresenta sangramento vaginal abundante, sem morbidades associadas à gestação. No exame, ela apresentou: regular estado geral, frequência respiratória de 23 incursões por minuto; tempo de enchimento capilar de 6 segundos; frequência cardíaca de 128 batimentos por minuto; pressão arterial de 80 x 30 mmHg; abdome globoso, normotenso; útero contraído abaixo da cicatriz umbilical, sem lesões no canal de parto.Diante do quadro apresentado, assinale a opção que estabelece a conduta apropriada a ser adotada em conjunto com a reanimação.
HPP com útero contraído e choque → suspeitar de retenção placentária → inspecionar placenta e curetar se necessário.
Em caso de hemorragia pós-parto com útero bem contraído e ausência de lacerações, a principal suspeita é a retenção de restos placentários. A inspeção cuidadosa da placenta e, se necessário, a curetagem uterina são condutas essenciais após a estabilização hemodinâmica da paciente.
A hemorragia pós-parto (HPP) é uma das principais causas de morbimortalidade materna globalmente, exigindo reconhecimento rápido e manejo eficaz. É definida como a perda sanguínea ≥ 500 mL após parto vaginal ou ≥ 1000 mL após cesariana, ou qualquer perda que cause instabilidade hemodinâmica. A abordagem inicial sempre envolve a reanimação volêmica agressiva e a identificação da causa, guiada pelos '4 Ts': Tônus, Trauma, Tecido e Trombina. No cenário apresentado, a paciente exibe sinais claros de choque hipovolêmico, mas o útero está bem contraído e não há lesões no canal de parto. Isso direciona a investigação para as causas de 'Tecido' (retenção de restos placentários) ou 'Trombina' (coagulopatias). A retenção de restos placentários é uma causa comum de HPP secundária ou primária, e a inspeção da placenta após o parto é um passo crítico para sua prevenção e diagnóstico. Fragmentos placentários retidos impedem a contração uterina eficaz ou servem como foco de sangramento. A conduta apropriada, em conjunto com a reanimação, inclui a inspeção manual da cavidade uterina e a curetagem uterina se houver evidência de restos placentários. A curetagem deve ser realizada com cautela para evitar perfuração uterina, especialmente em pacientes com útero amolecido ou em choque. A estabilização hemodinâmica é primordial antes de qualquer procedimento invasivo, e a equipe deve estar preparada para transfusão sanguínea e outras medidas de suporte avançado.
As causas de HPP são classicamente lembradas pelos '4 Ts': Tônus (atonía uterina, a mais comum), Trauma (lacerações de colo, vagina, períneo), Tecido (retenção de restos placentários) e Trombina (coagulopatias).
A inspeção cuidadosa da placenta é crucial para verificar sua integridade e a ausência de cotilédones ou fragmentos faltantes, que podem indicar retenção e risco de hemorragia pós-parto.
A curetagem uterina é indicada na HPP quando há suspeita ou confirmação de retenção de restos placentários, após falha de manobras manuais e estabilização hemodinâmica da paciente.
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