Hemorragia Pós-Parto: Causas, Fatores de Risco e Manejo

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2026

Enunciado

D.L.H, gestação gemelar dicoriônica e diamniótica, gestação sem intercorrências, evolui com parto normal com 36 semanas e 5 dias, com ambos os fetos cefálicos e com peso adequado para a idade. Na primeira hora pós-parto, evolui com hemorragia abundante, não controlada com as medidas terapêuticas, evoluindo para histerectomia pós-parto. Acerca da hemorragia pós-parto, é correto afirmar: I. A causa mais frequente de hemorragia pós-parto é laceração de trajeto. II. O tratamento inclui a compressão do fundo uterino com a manobra de Kristeller. III. Uma causa importante de hemorragia pós-parto é a presença de restos placentários. IV. A gestação gemelar é um fator de proteção para hemorragia pós-parto. Estão corretas:

Alternativas

  1. A) I e II.
  2. B) I e III.
  3. C) I, II e IV.
  4. D) Apenas I.
  5. E) Apenas III.

Pérola Clínica

Atonia uterina = causa #1 de HPP; Gemelaridade = fator de risco ↑ por sobredistensão uterina.

Resumo-Chave

A hemorragia pós-parto (HPP) é a principal causa de morte materna mundial. O diagnóstico baseia-se nos '4Ts': Tônus (atonia), Trauma (lacerações), Tecido (restos) e Trombina (coagulopatias).

Contexto Educacional

A hemorragia pós-parto (HPP) é definida classicamente como a perda sanguínea superior a 500 mL após parto vaginal ou 1000 mL após cesariana, ou qualquer perda que resulte em instabilidade hemodinâmica. A prevenção começa no terceiro estágio do parto com a administração profilática de ocitocina. Quando a hemorragia ocorre, o protocolo de manejo deve ser iniciado imediatamente, incluindo massagem uterina (Manobra de Hamilton), uso de uterotônicos (ocitocina, metilergonovina, misoprostol) e ácido tranexâmico. Fatores de risco como gemelaridade, trabalho de parto prolongado, corioamnionite e uso de sulfato de magnésio devem alertar a equipe para um risco aumentado de atonia. Em casos refratários, medidas cirúrgicas como suturas de B-Lynch, desarterialização uterina e, em última instância, a histerectomia subtotal ou total, como observado no caso clínico, tornam-se necessárias para salvar a vida da paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são as causas mais comuns de hemorragia pós-parto?

A causa mais frequente é a atonia uterina (falha na contração do miométrio após o parto), responsável por cerca de 70-80% dos casos. Outras causas incluem lacerações do trajeto (trauma), retenção de restos placentários (tecido) e distúrbios de coagulação (trombina). A identificação rápida da etiologia é crucial para o manejo direcionado, como massagem uterina e uterotônicos para atonia, ou revisão de canal para lacerações.

A gestação gemelar aumenta o risco de hemorragia?

Sim, a gestação gemelar é um fator de risco significativo para hemorragia pós-parto. Isso ocorre devido à sobredistensão das fibras miometrais, o que dificulta a contração uterina eficaz (mecanismo de ligaduras vivas de Pinard) após a saída dos fetos e das placentas. Outras condições de sobredistensão, como polidrâmnio e macrossomia fetal, também elevam esse risco.

Qual o papel da retenção de restos placentários na HPP?

A presença de restos placentários ou membranas impede a contração uterina completa e mantém o sangramento dos vasos abertos no sítio de inserção placentária. É uma causa importante de HPP imediata e tardia. O tratamento envolve a revisão uterina manual ou curetagem para garantir que a cavidade esteja vazia, permitindo que o útero atinja o tônus adequado.

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