Hemorragia Pós-Parto: Diagnóstico e Manejo da Laceração

UNIATENAS - Centro Universitário Atenas (MG) — Prova 2020

Enunciado

Paciente secundigesta, Ig: 39 semanas, chega à maternidade em trabalho de parto fase ativa. Após 03 horas, teve parto via vaginal. Revisão placentária com cotilédones e membranas íntegras. Ao realizar a avaliação do quarto período, o médico detecta sangramento vaginal abundante, útero ao nível da cicatriz uterina com tônus adequado, PA: 90x50mmHg, FC: 118bpm. Diante desse quadro, qual diagnóstico e conduta a ser tomada?

Alternativas

  1. A) Atonia uterina; massagem uterina bimanual e drogas uterotônicas.
  2. B) Laceração de canal de parto; sutura local.
  3. C) Restos placentários; curetagem uterina.
  4. D) Acréscimo placentário; curetagem uterina e se necessário histerectomia.
  5. E) Percretismo placentário e transfusão de concentrado de hemácias.

Pérola Clínica

Hemorragia pós-parto com útero contraído e sangramento ativo → suspeitar laceração de canal de parto.

Resumo-Chave

Em casos de hemorragia pós-parto onde o útero está bem contraído e a placenta foi revisada como íntegra, a causa mais provável é uma laceração do canal de parto (colo, vagina, períneo). A conduta inicial é a exploração e sutura da lesão.

Contexto Educacional

A hemorragia pós-parto (HPP) é definida como a perda sanguínea ≥ 500 mL após parto vaginal ou ≥ 1000 mL após cesariana, ou qualquer perda sanguínea que cause instabilidade hemodinâmica. É uma das principais causas de morbimortalidade materna globalmente. O quarto período do parto, as primeiras horas após a dequitação da placenta, é crítico para a vigilância, pois a maioria das HPP ocorre nesse período. As causas da HPP são classicamente divididas nos '4 Ts': Tônus (atonía uterina, 70-80% dos casos), Trauma (lacerações de colo, vagina, períneo, ruptura uterina), Tecido (retenção de restos placentários ou coágulos) e Trombina (coagulopatias pré-existentes ou adquiridas). A diferenciação é crucial para o manejo. Um útero bem contraído, como descrito no caso, afasta a atonia uterina como causa primária, direcionando a investigação para lacerações ou, menos comumente, restos placentários. O manejo da HPP exige uma abordagem rápida e sistemática. Se o útero está contraído e há sangramento, a exploração do canal de parto é imperativa para identificar e suturar lacerações. Se houver suspeita de restos placentários, a revisão manual da cavidade uterina ou curetagem pode ser necessária. Em todos os casos, o suporte hemodinâmico com fluidos e, se necessário, transfusão sanguínea é vital para estabilizar a paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de hemorragia pós-parto?

As quatro principais causas de hemorragia pós-parto são conhecidas como os '4 Ts': Tônus (atonía uterina, a mais comum), Trauma (lacerações do canal de parto), Tecido (retenção de restos placentários) e Trombina (coagulopatias).

Como diferenciar atonia uterina de laceração do canal de parto em caso de hemorragia pós-parto?

Na atonia uterina, o útero estará amolecido e mal contraído, enquanto na laceração do canal de parto, o útero geralmente estará bem contraído, mas o sangramento vaginal persistirá, muitas vezes com sangue vermelho vivo.

Qual a conduta inicial para uma laceração de canal de parto com sangramento ativo?

A conduta inicial é a exploração cuidadosa do canal de parto (colo, vagina, períneo) para identificar a laceração e, em seguida, realizar a sutura hemostática da lesão.

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