Hemorragia Pós-Parto: Manejo da Atonia Uterina e Choque

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 28a, G3P2A0, idade gestacional=39 semanas, procura Pronto Atendimento com contrações regulares e intensas, que começaram subitamente e rapidamente aumentaram em intensidade e frequência. Apresentou evolução do trabalho de parto, com dilatação cervical passando de 4cm para 10cm em aproximadamente duas horas. Parto vaginal, sob analgesia peridural contínua, com nascimento de um recém-nascido saudável (Apgar 9 no primeiro minuto e 10 no quinto minuto) e dequitação após 32 minutos. Após o parto apresentou sangramento intenso, com tontura e mal-estar. Exame físico: PA=88/62mmHg; FC=112bpm; T=35,7°C; oximetria de pulso=97% (ar ambiente). Avaliação obstétrica=imagem Q36.APÓS ALERTAR A EQUIPE, OFERECER MEDIDAS BÁSICAS DE SUPORTE À VIDA E SOLICITAR EXAMES, O TRATAMENTO DESSA CONDIÇÃO É:

Alternativas

Pérola Clínica

HPP + útero flácido/não contraído + TP rápido → Atonia uterina = Massagem uterina + Ocitocina.

Resumo-Chave

A hemorragia pós-parto (HPP) é uma emergência obstétrica, e o trabalho de parto rápido é um fator de risco para atonia uterina, a causa mais comum de HPP. A conduta inicial envolve medidas de suporte à vida, massagem uterina vigorosa e uso de uterotônicos, como ocitocina, para promover a contração uterina e controlar o sangramento.

Contexto Educacional

A hemorragia pós-parto (HPP) é definida como a perda sanguínea de 500 mL ou mais após parto vaginal ou 1000 mL ou mais após cesariana, dentro de 24 horas do parto, e é uma das principais causas de morbimortalidade materna globalmente. A atonia uterina, ou seja, a falha do útero em contrair-se adequadamente após a dequitação da placenta, é a causa mais comum, responsável por cerca de 70-80% dos casos. Fatores como trabalho de parto precipitado, como no caso apresentado, são conhecidos fatores de risco para atonia. O reconhecimento precoce da HPP e a intervenção imediata são cruciais. A avaliação inicial deve incluir a verificação dos sinais vitais para identificar choque hipovolêmico (hipotensão, taquicardia, palidez). As medidas básicas de suporte à vida incluem garantir a permeabilidade das vias aéreas, respiração e circulação, com a obtenção de acessos venosos calibrosos e início de infusão de cristaloides. A solicitação de exames laboratoriais (hemograma, coagulograma, tipagem sanguínea) é fundamental para guiar a transfusão de hemoderivados, se necessária. O tratamento da atonia uterina é multifacetado e progressivo. A massagem uterina bimanual é a primeira linha de ação para estimular a contração. A administração de uterotônicos, como ocitocina (intravenosa), misoprostol (retal) ou metilergonovina (intramuscular, se não houver hipertensão), é essencial. Se essas medidas falharem, outras intervenções podem ser necessárias, como o uso de balão de Bakri, suturas compressivas uterinas (B-Lynch), embolização arterial ou, em último caso, histerectomia. O ácido tranexâmico também pode ser considerado para reduzir o sangramento.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para hemorragia pós-parto?

Os principais fatores de risco para HPP incluem atonia uterina prévia, multiparidade, macrossomia fetal, polidramnia, trabalho de parto prolongado ou precipitado, corioamnionite, uso de ocitocina em altas doses, e distúrbios de coagulação.

Qual a conduta inicial na suspeita de atonia uterina pós-parto?

A conduta inicial na atonia uterina inclui alertar a equipe, garantir acessos venosos calibrosos, iniciar reanimação volêmica, realizar massagem uterina bimanual vigorosa e administrar uterotônicos, sendo a ocitocina a primeira escolha, seguida por misoprostol ou metilergonovina, se não houver contraindicações.

Quando considerar outras causas de HPP além da atonia uterina?

Se o útero estiver bem contraído e o sangramento persistir, deve-se investigar outras causas de HPP, como lacerações do trato genital (trauma), retenção de restos placentários (tecido) ou distúrbios de coagulação (trombina). A inspeção cuidadosa do canal de parto e a revisão da cavidade uterina são essenciais.

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