Hemorragia Pós-Parto: Fatores de Risco para Atonia Uterina

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2022

Enunciado

Paciente G6 P5 A0, 41 semanas de gestação, 28 anos de idade, com história prévia de 05 partos vaginais, diagnóstico obstétrico patológico atual de diabetes gestacional (feto no percentil 56 e líquido amniótico normal), evoluiu para parto via vaginal após indução com misoprostol em menos de 03 horas de trabalho de parto. Após a dequitação apresentou hemorragia profusa, com atonia uterina e puérpera com instabilidade hemodinâmica. Os fatores de risco associados a hemorragia no referido caso são:

Alternativas

  1. A) multiparidade, diabetes gestacional, pós-datismo e parto induzido.
  2. B) nuliparidade e parto taquitócico.
  3. C) parto induzido e idade materna.
  4. D) parto induzido, multiparidade e parto taquitócico.
  5. E) diabetes gestacional e idade materna.

Pérola Clínica

HPP por atonia: FR incluem multiparidade, parto induzido, taquitocia, macrossomia, DMG.

Resumo-Chave

A atonia uterina é a principal causa de hemorragia pós-parto (HPP). Fatores que distendem excessivamente o útero (multiparidade, macrossomia, polidramnia) ou que alteram sua contratilidade (parto induzido, taquitocia, corioamnionite, miomas) aumentam o risco de falha na contração uterina pós-parto, levando à HPP.

Contexto Educacional

A hemorragia pós-parto (HPP) é definida como a perda sanguínea igual ou superior a 500 mL após parto vaginal ou 1000 mL após cesariana, nas primeiras 24 horas. É a principal causa de morbimortalidade materna em todo o mundo, e a atonia uterina responde por cerca de 70-80% dos casos. O reconhecimento precoce dos fatores de risco é crucial para a prevenção e manejo adequado. Os fatores de risco para atonia uterina são diversos e frequentemente se somam. A multiparidade, como no caso da paciente (G6 P5), leva a um útero com menor capacidade de contração. A sobredistensão uterina (macrossomia fetal, polidramnia, gestação múltipla) também predispõe à atonia. O parto induzido, especialmente com o uso de ocitocina, e o parto taquitócico (trabalho de parto rápido, < 3 horas) podem exaurir a musculatura uterina, impedindo a contração eficaz após a dequitação. Outros fatores incluem diabetes gestacional (pelo risco de macrossomia), pós-datismo (útero mais distendido e com menor resposta contrátil), corioamnionite e retenção de restos placentários. O manejo da HPP por atonia uterina envolve medidas imediatas como massagem uterina bimanual, uso de uterotônicos (ocitocina, misoprostol, metilergonovina), e, se necessário, balão de Bakri ou procedimentos cirúrgicos. A prevenção, através da identificação e manejo dos fatores de risco, é a melhor estratégia para evitar essa complicação grave.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para atonia uterina e hemorragia pós-parto?

Os principais fatores de risco incluem multiparidade (útero exausto), sobredistensão uterina (macrossomia, polidramnia, gestação múltipla), trabalho de parto prolongado ou precipitado (taquitocia), parto induzido, uso de ocitocina excessiva, corioamnionite, miomas uterinos e retenção de restos placentários.

Como a multiparidade contribui para o risco de hemorragia pós-parto?

A multiparidade aumenta o risco de atonia uterina porque o útero, após múltiplas gestações, pode ter sua capacidade de contração diminuída, tornando-se menos eficaz em manter o tônus e comprimir os vasos sanguíneos após a dequitação da placenta.

Por que o parto induzido e o parto taquitócico são fatores de risco para HPP?

O parto induzido, especialmente com o uso de ocitocina, pode levar à exaustão da musculatura uterina. O parto taquitócico (muito rápido) não permite que o útero se contraia de forma coordenada e eficaz após a expulsão fetal, ambos aumentando o risco de atonia e HPP.

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