INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015
Uma parturiente de 34 anos de idade, grande multípara (VI Gesta), apresentou diabetes gestacional e está com gestação de 39 semanas. Deu entrada na Maternidade em trabalho de parto, com feto único, vivo e em apresentação cefálica. Evoluiu para parto vaginal e, após duas horas de período expulsivo, pariu concepto do sexo masculino com 4,100 kg, apgar 8/9. Logo após a dequitação da placenta, o sangramento uterino se acentuou. Exame obstétrico: útero de consistência amolecida, palpável acima da cicatriz umbilical; ausência de restos placentários; ausência de lacerações do canal de parto. A paciente evoluiu rapidamente com hipotensão, taquicardia e alteração da consciência. Essa situação poderia ter sido evitada se:
Prevenção de atonia uterina → Ocitocina 10 UI (IM ou IV) no manejo ativo do 3º estágio.
A atonia uterina é a principal causa de hemorragia pós-parto; o uso profilático de ocitocina logo após o nascimento do feto reduz drasticamente sua incidência.
A hemorragia pós-parto (HPP) é definida tradicionalmente como perda sanguínea > 500ml em parto vaginal ou > 1000ml em cesárea. A 'regra dos 4 Ts' ajuda a lembrar as causas: Tônus (atonia - 70%), Trauma (lacerações), Tecido (restos placentários) e Trombina (coagulopatias). No caso clínico, a paciente apresentava múltiplos fatores de risco para atonia (grande multiparidade e macrossomia fetal). O útero amolecido e acima da cicatriz umbilical confirma o diagnóstico de atonia. A intervenção mais eficaz e baseada em evidências para prevenir esse desfecho é a administração universal de ocitocina profilática durante o terceiro estágio do parto.
Os principais fatores incluem sobredistensão uterina (macrossomia, polidrâmnio, gestação múltipla), exaustão muscular (trabalho de parto prolongado ou muito rápido), multiparidade, uso de certas medicações (sulfato de magnésio, anestésicos halogenados) e corioamnionite.
Consiste em três pilares: 1) Administração de ocitocina (preferencialmente 10 UI IM ou IV lento) imediatamente após o nascimento; 2) Tração controlada do cordão umbilical; 3) Massagem uterina transabdominal após a dequitação placentária para garantir a contratilidade.
A ocitocina é altamente eficaz em promover a contração do miométrio, possui início de ação rápido, baixo custo e menos efeitos colaterais graves em comparação com derivados do ergot (que podem causar hipertensão) ou prostaglandinas (que podem causar febre e diarreia).
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