Hemorragia Pontina: Sinais Chave no Exame Neurológico

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2021

Enunciado

Joana tem 74 anos e é portadora de hipertensão arterial há 20 anos. Foi encontrada pelo seu filho no sofá da sala, não responsiva ao ser chamada pelo nome. Sr. Manoel chamou o SAMU. Ela foi intubada, sua pressão arterial estava 220/124mmHg, pulso de 80 batimentos/minuto rítmico. Ao exame neurológico apresentava desvio vertical intermitente dos olhos para baixo, sem resposta à manobra dos olhos de boneca. As pupilas estão mióticas. A estimulação dolorosa determina postura extensora bilateral e, consegue piscar ao comando de voz do médico emergencista. Qual seria a provável causa destes achados?

Alternativas

  1. A) Encefalopatia anóxica.
  2. B) Infarto isquêmico da artéria cerebral média esquerda.
  3. C) Infarto hemorrágico pontino.
  4. D) Infarto hemorrágico cerebelar.

Pérola Clínica

Hipertensão, coma, pupilas mióticas, desvio ocular vertical e descerebração → Hemorragia Pontina.

Resumo-Chave

A tríade de pupilas mióticas, desvio ocular vertical para baixo e postura de descerebração, em um contexto de hipertensão grave e coma, é altamente sugestiva de hemorragia pontina. A ponte é uma estrutura vital do tronco encefálico, e lesões nessa área causam déficits neurológicos graves.

Contexto Educacional

A hemorragia pontina é uma forma devastadora de acidente vascular cerebral hemorrágico, frequentemente associada à hipertensão arterial crônica. A ponte é uma estrutura vital do tronco encefálico, contendo núcleos de nervos cranianos, vias motoras e sensitivas, e centros reguladores da consciência e respiração. A rápida elevação da pressão arterial pode levar à ruptura de pequenas artérias perfurantes, resultando em um hematoma que comprime e destrói o tecido pontino. O diagnóstico é primariamente clínico, com a apresentação de coma súbito, hipertensão arterial grave e achados neurológicos focais muito característicos. A tríade de pupilas mióticas (puntiformes), desvio ocular vertical para baixo e postura de descerebração bilateral é altamente sugestiva. A ausência de reflexos de tronco encefálico, como o óculo-cefálico, também é comum. A tomografia computadorizada de crânio é o exame de imagem de escolha para confirmar a presença e extensão da hemorragia. O tratamento é de suporte, visando o controle da pressão arterial (evitando hipotensão ou hipertensão excessiva), manejo da via aérea (intubação frequente), controle da pressão intracraniana e prevenção de complicações. O prognóstico é geralmente sombrio devido à localização crítica da lesão, com alta mortalidade e morbidade significativa nos sobreviventes.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clássicos no exame neurológico de uma hemorragia pontina?

Os achados clássicos incluem coma profundo, pupilas puntiformes ou mióticas reativas à luz, desvio ocular vertical para baixo, ausência de reflexos óculo-cefálicos e óculo-vestibulares, e postura de descerebração bilateral.

Por que a hipertensão arterial é um fator de risco importante para hemorragia pontina?

A hipertensão arterial crônica leva a alterações degenerativas nos pequenos vasos cerebrais, tornando-os mais frágeis e propensos a ruptura, especialmente nas artérias perfurantes da ponte, resultando em hemorragias.

Como diferenciar uma hemorragia pontina de outras lesões de tronco encefálico?

A diferenciação é feita pela combinação de sinais específicos: pupilas mióticas e desvio ocular vertical são mais característicos da ponte. Lesões mesencefálicas podem causar pupilas dilatadas e desvio ocular para cima, enquanto lesões bulbares afetam mais os centros respiratórios e cardíacos.

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