PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2020
Henrique nasceu prematuro de 29 semanas de gestação e seu peso foi de 800 gramas. Apresentou insuficiência respiratória logo após o nascimento. O ecocardiograma mostrou um canal arterial patente de 2,5 mm. No quarto dia, apresentou piora do estado geral, palidez, apneia, hiperglicemia. Os exames revelaram hematócrito= 28 mg/dl, leu- cócitos=5.000 (bastões= 5%, neutrofilos=35%, linfocitos=45%, monócitos=15%); plaquetas=180.000; PCR=2mg/dL; uréia=35mg; creatinina=0,7mg/dL. Após 48 horas da coleta de sangue, a hemocultura permaneceu negativa. O diagnóstico provável dessa criança no quarto dia de vida, que ocasionou sua piora clínica, é
Prematuro extremo com piora súbita (apneia, palidez, hiperglicemia, anemia) + PCR normal = suspeitar HPIV.
A hemorragia peri-intraventricular (HPIV) é uma complicação grave da prematuridade, especialmente em prematuros extremos. A piora súbita do estado geral, com apneia, palidez, hiperglicemia e anemia, na ausência de sinais claros de sepse (PCR normal, hemocultura negativa), é altamente sugestiva de HPIV.
A hemorragia peri-intraventricular (HPIV) é uma das complicações neurológicas mais graves e comuns em recém-nascidos prematuros, especialmente aqueles com idade gestacional inferior a 32 semanas e baixo peso ao nascer. A imaturidade da matriz germinativa, uma região altamente vascularizada e frágil no cérebro do prematuro, torna-o suscetível a flutuações no fluxo sanguíneo cerebral, levando à ruptura de vasos e sangramento. A apresentação clínica da HPIV pode variar de assintomática a catastrófica. Sinais de piora súbita do estado geral, como apneia, bradicardia, palidez, hipotonia, convulsões, fontanela abaulada, anemia inexplicada e hiperglicemia, devem levantar forte suspeita. É crucial diferenciar de sepse neonatal, que pode ter sintomas semelhantes, mas geralmente cursa com marcadores inflamatórios elevados e hemocultura positiva. No caso descrito, a PCR normal e a hemocultura negativa afastam sepse como causa primária da piora aguda. O diagnóstico definitivo da HPIV é feito por ultrassonografia transfontanelar, que deve ser realizada rotineiramente em prematuros de alto risco. O manejo é principalmente de suporte, visando estabilizar o paciente e prevenir complicações secundárias. O prognóstico depende do grau da hemorragia, sendo que graus mais elevados estão associados a maior risco de sequelas neurológicas, como paralisia cerebral e déficits cognitivos.
Os principais fatores de risco são prematuridade (especialmente <32 semanas), baixo peso ao nascer, instabilidade hemodinâmica, hipóxia-isquemia, ventilação mecânica e flutuações na pressão arterial e fluxo sanguíneo cerebral.
O diagnóstico definitivo é realizado por ultrassonografia transfontanelar, que permite visualizar a presença e a extensão da hemorragia, classificando-a em graus.
As manifestações podem ser sutis ou catastróficas, incluindo apneia, bradicardia, palidez, hipotonia, convulsões, fontanela abaulada, anemia, hiperglicemia e instabilidade hemodinâmica.
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