UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2020
Paciente de vinte e cinco anos de idade, vítima de acidente automobilístico com capotamento ocorrido havia 8 horas, foi levado ao pronto-socorro, onde deu entrada consciente, orientado, imobilizado em prancha rígida, com colar cervical. O paciente apresentava sinais vitais normais, quadro de dor em região cervical, abdominal e lacerações em membros superiores e inferiores. Com relação a esse caso clínico e aos múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue o item a seguir. Como os sinais vitais do referido paciente estão normais, deve-se descartar a possibilidade de hemorragia.
Sinais vitais normais ≠ Ausência de hemorragia. Compensação mascara perdas de até 30%.
No trauma, a estabilidade hemodinâmica inicial não descarta hemorragia interna, pois mecanismos compensatórios mantêm a PA até perdas volêmicas significativas.
A avaliação do paciente traumatizado segue os protocolos do ATLS. A estabilidade hemodinâmica aparente pode ser transitória, especialmente em pacientes jovens com excelente reserva fisiológica. A investigação de lesões internas é mandatória baseada no mecanismo de trauma e achados físicos, independentemente da estabilidade inicial. O diagnóstico de hemorragia deve ser clínico e presuntivo até que se prove o contrário em traumas de grande impacto.
Durante as fases iniciais do choque (Classe I e II), o sistema nervoso simpático libera catecolaminas que aumentam a frequência cardíaca e promovem vasoconstrição periférica. Isso mantém o débito cardíaco e a pressão arterial média mesmo com perdas de até 15-30% do volume sanguíneo.
Sinais precoces incluem taquicardia leve, estreitamento da pressão de pulso, taquipneia, palidez cutânea, tempo de enchimento capilar lentificado e ansiedade. A pressão arterial sistólica geralmente só cai quando a perda volêmica excede 30% (Choque Classe III).
Em traumas de alta energia, deve-se investigar ativamente quatro cavidades: tórax, abdome (intraperitoneal), pelve (retroperitônio) e ossos longos (fêmur). A dor abdominal e cervical no paciente do caso exige investigação por imagem (FAST ou Tomografia).
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