Hemorragia Intracerebral: Indicação de Derivação Ventricular Externa

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 70 anos, apresentou quadro súbito de cefaleia, vômitos e rebaixamento do nível de consciência há 4 horas. AP: tabagismo e hipertensão arterial descontrolada. Exame físico: mau estado geral, Glasgow 7, PA 170x100 mmHg, FC 80 bpm, FR 18 irpm. Realizada tomografia de crânio (a seguir).A conduta é:

Alternativas

  1. A) craniectomia descompressiva.
  2. B) terceiroventriculostomia endoscópica.
  3. C) derivação ventricular externa.
  4. D) manitol em bolus.

Pérola Clínica

Hemorragia intracerebral + Glasgow ↓ + hidrocefalia/hipertensão intracraniana → DVE para controle da PIC.

Resumo-Chave

Em pacientes com hemorragia intracerebral e rebaixamento do nível de consciência (Glasgow 7), especialmente se houver sinais de hidrocefalia aguda ou hipertensão intracraniana (como desvio de linha média), a derivação ventricular externa (DVE) é uma conduta crucial para drenar o líquor, reduzir a pressão intracraniana e estabilizar o paciente.

Contexto Educacional

A hemorragia intracerebral (HIC) é um tipo grave de acidente vascular encefálico, frequentemente associada à hipertensão arterial descontrolada, como no caso apresentado. Caracteriza-se por sangramento dentro do parênquima cerebral, que pode levar a um rápido aumento da pressão intracraniana (PIC), rebaixamento do nível de consciência e déficits neurológicos focais. A tomografia de crânio é o exame de imagem de escolha para o diagnóstico. O manejo da HIC é complexo e visa principalmente o controle da PIC, a estabilização hemodinâmica e a prevenção de complicações. Em pacientes com rebaixamento do nível de consciência (Glasgow ≤ 8) e evidência de hidrocefalia aguda (frequentemente por obstrução do fluxo liquórico pelo hematoma ou sangue intraventricular), a derivação ventricular externa (DVE) é uma intervenção neurocirúrgica crucial. A DVE permite a drenagem do líquor e a monitorização direta da PIC, aliviando a pressão sobre o cérebro. Outras medidas importantes incluem o controle agressivo da pressão arterial para evitar o ressangramento e a expansão do hematoma, a reversão de coagulopatias, o uso de manitol ou solução salina hipertônica para reduzir a PIC temporariamente, e a consideração de craniectomia descompressiva em casos selecionados de edema cerebral refratário. A decisão pela DVE é fundamental para o prognóstico desses pacientes críticos.

Perguntas Frequentes

Quando a derivação ventricular externa (DVE) é indicada na hemorragia intracerebral?

A DVE é indicada em pacientes com hemorragia intracerebral que desenvolvem hidrocefalia aguda (obstrutiva ou comunicante) e/ou apresentam sinais de hipertensão intracraniana grave, especialmente com rebaixamento do nível de consciência (Glasgow ≤ 8).

Qual o objetivo da DVE no manejo da hemorragia intracerebral?

O principal objetivo da DVE é drenar o líquor e, em alguns casos, o sangue intraventricular, para reduzir a pressão intracraniana (PIC) e prevenir ou tratar a hidrocefalia, melhorando a perfusão cerebral e o prognóstico do paciente.

Quais outras medidas são importantes no manejo da hemorragia intracerebral?

Além do controle da PIC, o manejo inclui controle rigoroso da pressão arterial, reversão de coagulopatias, monitorização neurológica contínua, prevenção de convulsões e, em casos selecionados, cirurgia para evacuação do hematoma.

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