Hemorragia Digestiva de Origem Obscura: Diagnóstico e Manejo

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2024

Enunciado

Em relação à hemorragia digestiva de origem obscura (HDOO), assinale a afirmativa INCORRETA.

Alternativas

  1. A) Para esse termo ser usado, é obrigatório que o paciente já tenha realizado uma endoscopia digestiva alta e uma colonoscopia que não tenham identificado a fonte de sangramento.
  2. B) A enteroscopia com duplo balão é feita pela boca, consegue ver bem todo o intestino delgado e permite a realização de procedimentos.
  3. C) A cápsula endoscópica está hoje entre as principais opções na investigação inicial de uma HDOO, embora não permita realização de procedimentos.
  4. D) A êntero-TC ou êntero-ressonância é a opção inicial de investigação de HDOO, quando há suspeita de tumores, obstruções ou estenoses do intestino delgado.
  5. E) A cintilografia de hemácia marcada com tecnécio consegue identificar sangramento pequeno, mesmo que intermitente, não é invasivo, tem custo baixo e requer pouco preparo para ser realizado, embora não defina, com precisão, o local do sangramento, motivo pelo qual tem sido menos usado.

Pérola Clínica

Enteroscopia de duplo balão → via anterógrada e retrógrada para avaliação total.

Resumo-Chave

A hemorragia digestiva de origem obscura (HDOO) refere-se a sangramentos que persistem após EDA e colonoscopia negativas. A enteroscopia de duplo balão pode exigir duas vias de acesso para cobrir todo o delgado.

Contexto Educacional

A Hemorragia Digestiva de Origem Obscura (HDOO) representa um desafio diagnóstico, correspondendo a cerca de 5-10% dos casos de hemorragia digestiva. A maioria dessas fontes reside no intestino delgado, área de difícil acesso para a endoscopia convencional. As principais causas variam com a idade: em pacientes jovens, predominam os tumores (como o GIST) e o divertículo de Meckel; em idosos, as angiodisplasias e lesões induzidas por AINEs são mais comuns. A enteroscopia de duplo balão (EDB) revolucionou o tratamento, pois permite não apenas a visualização profunda, mas também intervenções como cauterização de angiodisplasias, polipectomias e tatuagem de lesões para cirurgia. É importante notar que a EDB pode ser realizada via anterógrada (oral) ou retrógrada (anal). Para a visualização de todo o intestino delgado (pan-enteroscopia), muitas vezes é necessário o acesso por ambas as vias em tempos diferentes, marcando o ponto máximo alcançado para garantir a cobertura total.

Perguntas Frequentes

O que define uma hemorragia digestiva como 'obscura'?

A Hemorragia Digestiva de Origem Obscura (HDOO) é definida como o sangramento persistente ou recorrente para o qual não foi encontrada uma causa após a realização de exames endoscópicos iniciais padrão, especificamente a Endoscopia Digestiva Alta (EDA) e a Colonoscopia. Atualmente, com o avanço dos métodos de imagem do intestino delgado, o termo tem sido substituído por 'sangramento do intestino delgado' quando a fonte é identificada nesse segmento.

Qual a vantagem da cápsula endoscópica na HDOO?

A cápsula endoscópica é frequentemente o primeiro exame após EDA e colonoscopia negativas em sangramentos não vultuosos. Suas vantagens incluem ser um método não invasivo, com alta sensibilidade para detectar lesões mucosas (como angiodisplasias e erosões) em todo o intestino delgado. No entanto, sua principal limitação é ser apenas diagnóstica, não permitindo a realização de biópsias ou terapêutica hemostática.

Quando preferir a Entero-TC em vez da cápsula endoscópica?

A Entero-TC ou Entero-RM é preferível quando há suspeita clínica de lesões estruturais, como tumores de intestino delgado, ou quando há suspeita de estenoses/obstruções que contraindicariam a cápsula endoscópica pelo risco de retenção do dispositivo. A Entero-TC é excelente para avaliar a parede do intestino e massas extraluminais, mas tem menor sensibilidade para lesões vasculares planas (angiodisplasias).

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