Hemorragia Digestiva Baixa Maciça: Manejo em Instabilidade Hemodinâmica

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2015

Enunciado

Paciente feminina com 84 anos de idade é internada em UTI por apresentar quadro de insuficiência coronariana. Tem antecedente de obstipação crônica, evacuando somente com o uso de laxantes. Há um ano, quando apresentou quadro de hemorragia digestiva baixa, realizou colonoscopia, que diagnosticou doença diverticular colônica. No momento está com enterorragia há 8 horas e já apresentou 10 evacuações sanguinolentas com instabilidade hemodinâmica PA: 70 x 40 e FC 120 bpm. O exame laboratorial mostrou queda do Hb de 12,5 g/dl para 6,9 g/dl. O plantonista da UTI já solicitou uma endoscopia digestiva alta que mostrou gastrite antral leve sem sinais de sangramento. Qual a conduta mais indicada neste momento, além de reposição volêmica e de hemoderivados?

Alternativas

  1. A) Solicitar colonoscopia.
  2. B) Hemicolectomia esquerda.
  3. C) Hemicolectomia direita.
  4. D) Colectomia subtotal.
  5. E) Solicitar arteriografia e mapeamento.

Pérola Clínica

Hemorragia digestiva baixa maciça com instabilidade hemodinâmica e falha de localização → colectomia subtotal.

Resumo-Chave

Em pacientes idosos com hemorragia digestiva baixa maciça e instabilidade hemodinâmica, especialmente quando a fonte do sangramento não pode ser localizada rapidamente ou controlada por métodos menos invasivos, a colectomia subtotal pode ser a conduta salvadora de vida.

Contexto Educacional

A hemorragia digestiva baixa (HDB) é definida como sangramento distal ao ligamento de Treitz. Em idosos, a doença diverticular é a causa mais comum, responsável por cerca de 30-50% dos casos. Embora a maioria dos sangramentos diverticulares seja autolimitada, uma parcela significativa pode ser maciça e levar à instabilidade hemodinâmica, como no caso da paciente, que apresenta choque hipovolêmico grave. O manejo inicial da HDB maciça com instabilidade hemodinâmica é a ressuscitação volêmica agressiva com cristaloides e hemoderivados. Após a estabilização inicial, a localização da fonte do sangramento é crucial. A endoscopia digestiva alta já foi realizada, excluindo uma fonte alta. A colonoscopia de emergência pode ser tentada se o paciente estiver estável e o preparo intestinal for possível, mas sua eficácia é limitada em sangramentos maciços. A arteriografia pode localizar e embolizar o sangramento, mas requer sangramento ativo e pode ser difícil em pacientes instáveis. Quando há hemorragia digestiva baixa maciça com instabilidade hemodinâmica persistente, e a fonte do sangramento não pode ser localizada ou controlada por métodos menos invasivos, a intervenção cirúrgica torna-se imperativa. Em situações de sangramento difuso ou não localizado no cólon, a colectomia subtotal é a opção mais segura e eficaz para controlar a hemorragia e salvar a vida do paciente, apesar de ser um procedimento de grande porte, especialmente em uma paciente idosa e com comorbidades.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de hemorragia digestiva baixa em idosos?

As causas mais comuns em idosos incluem doença diverticular (a mais frequente), angiodisplasias, colite isquêmica, neoplasias colorretais e pólipos.

Quando a arteriografia é indicada em hemorragia digestiva baixa?

A arteriografia é indicada para localizar o sangramento ativo em pacientes com hemorragia digestiva baixa que estão hemodinamicamente estáveis ou estabilizados, e pode ser terapêutica com embolização, mas requer sangramento ativo de pelo menos 0,5 mL/min.

Por que a colectomia subtotal é considerada em hemorragia digestiva baixa maciça e instável?

A colectomia subtotal é uma medida de salvamento em casos de hemorragia digestiva baixa maciça com instabilidade hemodinâmica persistente, quando a fonte do sangramento não pode ser localizada ou controlada por métodos endoscópicos/radiológicos, pois remove a maior parte do cólon, onde a maioria dos sangramentos ocorre.

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