Hemorragia Digestiva Baixa: Causas, Diagnóstico e Manejo

UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2025

Enunciado

Em relação à hemorragia digestiva baixa, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa CORRETA.I. A causa mais comum é a doença diverticular (até 40% dos casos).II. Mesmo diante de um quadro de enterorragia, deve-se afastar hemorragia digestiva alta em pacientes com trânsito gastrointestinal mais acelerado.III. A colonoscopia é um exame extremamente útil para identificação da origem do sangramento e – eventualmente – tratamento endoscópico; logo, deve ser realizada o quanto antes, mesmo sem preparo colônico ou estabilização hemodinâmica.IV. Instabilidade hemodinâmica refratária, administração de mais de 4 unidades de sangue em 24h ou mais de 10 unidades de sangue na internação são consideradas indicação de cirurgia.

Alternativas

  1. A) Apenas as afirmativas II e III estão corretas.
  2. B) Apenas as afirmativas I, II e IV estão corretas.
  3. C) Apenas as afirmativas I, III e IV estão corretas.
  4. D) Todas as afirmativas estão corretas.

Pérola Clínica

HDB: Diverticulose é + comum. Sempre afastar HDA. Estabilizar antes da colonoscopia. Instabilidade refratária → cirurgia.

Resumo-Chave

A hemorragia digestiva baixa (HDB) tem a doença diverticular como principal causa. É crucial diferenciar de hemorragia digestiva alta (HDA) com trânsito rápido. A estabilização hemodinâmica e o preparo intestinal são pré-requisitos para uma colonoscopia diagnóstica e terapêutica eficaz, e a cirurgia é reservada para casos de sangramento refratário ou instabilidade persistente.

Contexto Educacional

A Hemorragia Digestiva Baixa (HDB) é definida como sangramento originado distalmente ao ligamento de Treitz, sendo uma condição comum que pode variar de leve a grave e com risco de vida. A causa mais frequente em adultos é a doença diverticular, responsável por até 40% dos casos, seguida por angiodisplasias, colites (isquêmica, infecciosa), pólipos e neoplasias. A apresentação clínica varia de enterorragia (sangue vivo) a melena, dependendo da localização e velocidade do sangramento. O diagnóstico da HDB começa com a avaliação da estabilidade hemodinâmica do paciente e a exclusão de uma hemorragia digestiva alta (HDA) que se manifesta com enterorragia devido ao trânsito rápido. A colonoscopia é o principal exame diagnóstico e terapêutico, mas deve ser realizada após estabilização hemodinâmica e preparo intestinal adequado para otimizar a visualização e a segurança. Outros métodos diagnósticos incluem angiografia (para sangramentos mais volumosos), cintilografia com hemácias marcadas (para sangramentos intermitentes ou de baixo volume) e, em casos selecionados, enteroscopia ou cápsula endoscópica. O tratamento inicial da HDB é sempre a estabilização hemodinâmica com reposição volêmica e, se necessário, transfusão sanguínea. Uma vez estável, a colonoscopia pode identificar e tratar a fonte do sangramento (eletrocoagulação, clipagem, injeção). A angiografia pode ser terapêutica com embolização. A cirurgia é reservada para casos de sangramento maciço e refratário ao tratamento clínico e endoscópico, instabilidade hemodinâmica persistente ou necessidade de transfusão maciça, visando a ressecção do segmento intestinal sangrante.

Perguntas Frequentes

Qual a principal causa de hemorragia digestiva baixa?

A doença diverticular é a causa mais comum de hemorragia digestiva baixa em adultos, respondendo por até 40% dos casos. Outras causas incluem angiodisplasias, colite isquêmica, pólipos e neoplasias.

Por que é importante afastar hemorragia digestiva alta em casos de enterorragia?

Mesmo na presença de enterorragia (sangue vivo pelo ânus), é fundamental afastar uma hemorragia digestiva alta (HDA) com trânsito gastrointestinal acelerado, pois o sangue pode não ter tempo de ser digerido e apresentar-se como enterorragia, e o manejo da HDA é diferente.

Quais são as indicações para cirurgia na hemorragia digestiva baixa?

As indicações para cirurgia na HDB incluem instabilidade hemodinâmica refratária ao tratamento clínico, necessidade de transfusão de mais de 4 unidades de concentrado de hemácias em 24 horas, ou mais de 10 unidades durante a internação, e ressangramento após tratamento endoscópico ou angiográfico.

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