FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024
Mulher de 57 anos dá entrada na sala de emergência com quadro de fraqueza intensa, palidez, sudorese, confusão mental e evacuações com sangue há 4 dias. Descorada + + +, PA = 90/62 mmHg; FC = 122 bpm, FR = 26 irpm; Sat. 02 = 93%. Exame abdominal: dor à palpação difusa do abdome com descompressão brusca negativa. Exame proctológico e toque retal: presença de sangue vermelho vivo, sem patologias orificiais. A conduta a ser realizada diante do caso descrito é:
Hemorragia digestiva baixa com instabilidade hemodinâmica → priorizar estabilização (O2, acessos calibrosos, fluidos) antes da investigação diagnóstica (colonoscopia).
Pacientes com hemorragia digestiva baixa e sinais de choque hipovolêmico (hipotensão, taquicardia, palidez, confusão mental) requerem estabilização hemodinâmica imediata. Isso inclui oxigenoterapia, estabelecimento de acessos venosos periféricos calibrosos e reposição volêmica agressiva com cristaloides. Somente após a estabilização, a investigação diagnóstica (como colonoscopia) deve ser realizada.
A hemorragia digestiva baixa (HDB) é definida como sangramento originário do trato gastrointestinal distal ao ligamento de Treitz, manifestando-se frequentemente como enterorragia (sangue vermelho vivo nas fezes) ou melena, dependendo da velocidade e localização do sangramento. Em pacientes que apresentam sinais de instabilidade hemodinâmica, como hipotensão, taquicardia, palidez, sudorese e alteração do estado mental, a HDB deve ser considerada uma emergência médica que requer intervenção imediata. O manejo inicial de um paciente com HDB e choque hipovolêmico é a estabilização hemodinâmica. Isso envolve a administração de oxigênio suplementar, o estabelecimento de dois acessos venosos periféricos de grosso calibre para rápida infusão de fluidos (cristaloides, como soro fisiológico ou Ringer lactato) e, se necessário, a transfusão de hemoderivados (concentrado de hemácias, plasma fresco congelado, plaquetas), guiada por exames laboratoriais e pela resposta clínica. A monitorização contínua dos sinais vitais e do débito urinário é essencial. Somente após a estabilização do paciente, a investigação diagnóstica deve ser iniciada. A colonoscopia é o método de escolha para localizar a fonte do sangramento na HDB e, em muitos casos, permitir a intervenção terapêutica (cauterização, clipagem). Outros exames, como angiotomografia, cintilografia com hemácias marcadas ou angiografia, podem ser considerados em casos de sangramento persistente ou quando a colonoscopia não é conclusiva. A cirurgia é reservada para casos refratários ou quando há instabilidade hemodinâmica persistente apesar das medidas de ressuscitação e tentativas endoscópicas.
Sinais de choque hipovolêmico incluem hipotensão, taquicardia, taquipneia, palidez, sudorese, extremidades frias, tempo de enchimento capilar prolongado, alteração do estado mental (confusão, letargia) e oligúria.
A conduta inicial é priorizar a estabilização hemodinâmica: oxigenoterapia, estabelecimento de dois acessos venosos periféricos calibrosos, reposição volêmica com cristaloides e, se necessário, transfusão de hemoderivados (concentrado de hemácias).
A colonoscopia é o exame de escolha para investigar hemorragia digestiva baixa, mas deve ser realizada somente após a estabilização hemodinâmica do paciente. Em casos de sangramento ativo e instabilidade, a estabilização precede qualquer procedimento diagnóstico invasivo.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo