Hemorragia Digestiva Baixa: Manejo da Doença Diverticular

UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2020

Enunciado

Um paciente de 63 anos, do sexo masculino, procura o Pronto Atendimento de um hospital com queixa de sangramento vermelho vivo via anal. Refere que há alguns meses notara presença de sangue junto às evacuações esporadicamente e acreditou que era hemorroida, porém houve aumento da frequência até que hoje se desesperou porque passou a apresentar sangramento em grande quantidade, com saída de coágulos, e se sentiu mais fraco, tendo inclusive caído ao se levantar para ir ao banheiro. Pediu aos vizinhos que o ajudassem porque mora sozinho. De comorbidades, tem diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica em uso de losartana. Nega outras doenças, uso de outras medicações e cirurgias prévias. Ao exame físico, está em regular estado geral, sudoreico, hipocorado, com frequência cardíaca de 122 bpm, PA: 100x60 mmHg, afebril. É digna de nota ainda a presença de dor à palpação de fossa ilíaca esquerda e hipogástrio, sem massas palpáveis ou sinais de irritação peritoneal. À inspeção anal, há presença de sangue e dois botões hemorroidários exteriorizados, não redutíveis, sem sinais de trombose e, ao toque, o esfíncter anal é hipotônico, a mucosa retal é lisa e há presença de sangue em luva. Considerando exclusivamente as informações apresentadas, assinale a afirmativa correta.

Alternativas

  1. A) A provável causa do sangramento é câncer colorretal e as medidas terapêuticas iniciais devem incluir expansão volêmica com cristaloides e hemoderivados com monitorização intensiva e programação de endoscopia digestiva alta e colonoscopia nas próximas 24 horas a depender da estabilização hemodinâmica e possibilidade de preparo do cólon.
  2. B)  provável causa do sangramento é câncer colorretal e as medidas terapêuticas iniciais devem incluir expansão volêmica com cristaloides e hemoderivados seguida de colonoscopia imediata para controle do sangramento.
  3. C) A provável causa do sangramento é doença diverticular do cólon e as medidas terapêuticas iniciais devem incluir expansão volêmica com cristaloides e hemoderivados seguida de colonoscopia imediata para controle do sangramento.
  4. D) A provável causa do sangramento é doença diverticular do cólon e as medidas terapêuticas iniciais devem incluir expansão volêmica com cristaloides e hemoderivados com monitorização intensiva e programação de endoscopia digestiva alta e colonoscopia nas próximas 24 horas a depender da estabilização hemodinâmica e possibilidade de preparo do cólon.

Pérola Clínica

Sangramento digestivo baixo volumoso em idoso + instabilidade hemodinâmica + dor em FIE → Diverticulose sangrante; estabilizar antes de investigar.

Resumo-Chave

Em pacientes idosos com sangramento digestivo baixo volumoso e instabilidade hemodinâmica, a doença diverticular é a causa mais comum. A prioridade é a estabilização hemodinâmica com fluidos e hemoderivados, seguida de investigação endoscópica (colonoscopia) após estabilização e preparo adequado, podendo-se considerar EDA para excluir sangramento alto.

Contexto Educacional

A hemorragia digestiva baixa (HDB) é uma condição clínica comum, com incidência crescente em pacientes idosos. Caracteriza-se por sangramento distal ao ligamento de Treitz, manifestando-se como hematoquezia (sangue vermelho vivo ou coágulos via anal) ou, menos frequentemente, melena se o sangramento for lento e proximal. A avaliação inicial deve sempre focar na estabilização hemodinâmica, pois a instabilidade é um preditor de pior prognóstico. No caso apresentado, o paciente idoso com sangramento volumoso, instabilidade hemodinâmica (taquicardia, hipotensão, sudorese, fraqueza) e dor em fossa ilíaca esquerda (FIE) sugere fortemente doença diverticular do cólon, que é a causa mais comum de HDB grave em idosos. Embora hemorroidas sejam comuns, o volume e a repercussão sistêmica do sangramento afastam essa como a única causa. O câncer colorretal também é uma possibilidade, mas a apresentação aguda e volumosa é mais típica de diverticulose sangrante. O manejo inicial é sempre a ressuscitação volêmica agressiva com cristaloides e, se necessário, hemoderivados, enquanto se monitoriza o paciente intensivamente. Após a estabilização, a investigação diagnóstica deve ser programada. A colonoscopia é o exame de escolha para identificar a fonte do sangramento no cólon. No entanto, um preparo intestinal adequado é essencial para a visualização, o que pode levar tempo. A endoscopia digestiva alta (EDA) também deve ser considerada para excluir sangramento do trato gastrointestinal superior, que pode mimetizar HDB em até 10-15% dos casos, especialmente em pacientes instáveis.

Perguntas Frequentes

Quais são as causas mais comuns de hemorragia digestiva baixa em pacientes idosos?

Em pacientes idosos, as causas mais comuns de hemorragia digestiva baixa incluem doença diverticular (a mais frequente), angiodisplasia, isquemia colônica, pólipos e câncer colorretal. Hemorroidas e fissuras anais são causas comuns, mas geralmente causam sangramento menos volumoso.

Qual a conduta inicial para um paciente com hemorragia digestiva baixa e instabilidade hemodinâmica?

A conduta inicial é a estabilização hemodinâmica, que inclui acesso venoso calibroso, expansão volêmica com cristaloides, transfusão de hemoderivados (concentrado de hemácias, plasma, plaquetas) conforme necessário, e monitorização intensiva. A investigação da causa deve ser feita após a estabilização.

Por que a endoscopia digestiva alta pode ser considerada em casos de sangramento digestivo baixo?

A endoscopia digestiva alta (EDA) pode ser considerada para excluir sangramento do trato gastrointestinal superior que se manifesta como sangramento digestivo baixo (melena ou hematoquezia, especialmente se o trânsito intestinal for rápido). Cerca de 10-15% dos sangramentos que parecem ser baixos têm origem alta.

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