Hemorragia Digestiva Baixa em Idosos: Diagnóstico e Manejo

UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2020

Enunciado

Paciente 70 anos de idade, chega ao serviço de emergência relatando fraqueza e dispnéia. Aponta que nos últimos três dias teve sangramento retal moderado. Refere hemorroidas há mais de 8 anos. Ao exame: hipocorada, taquicárdica, eupnéica, PA 160 x 60 mmHg, TAX = 37,4, hb = 6,9 mg/dl, HT = 22%, Leuco = 11.200, bastões = 4%, Ur = 115, Cr = 1,4. Qual o provável diagnóstico e a conduta mais apropriada após medidas de estabilização iniciais?

Alternativas

  1. A) Sangramento pelas hemorroidas, ligadura
  2. B) Sangramento por divertículos, cirurgia
  3. C) Sangramento tumoral, colectomia ou colonoscopia
  4. D) Sangramento por diverticulos, conduta expectante ou endoscópica e angiodisplais, hemocolectomia ou conduta endoscópica.

Pérola Clínica

Idoso com sangramento retal + anemia grave → investigar divertículos/angiodisplasias, não apenas hemorroidas.

Resumo-Chave

Em idosos com sangramento gastrointestinal baixo e anemia significativa, é crucial investigar causas como diverticulose e angiodisplasias, que são mais comuns e podem levar a perdas volêmicas importantes. A estabilização hemodinâmica precede a investigação diagnóstica e terapêutica, que pode incluir colonoscopia ou, em casos refratários, cirurgia.

Contexto Educacional

A hemorragia digestiva baixa (HDB) em idosos é uma condição comum e potencialmente grave, exigindo uma abordagem diagnóstica e terapêutica rápida. As principais etiologias nessa faixa etária incluem diverticulose colônica, angiodisplasias, pólipos e neoplasias. Diferentemente dos jovens, onde doenças inflamatórias intestinais podem ser mais prevalentes, nos idosos, as causas vasculares e degenerativas predominam. A apresentação clínica varia de sangramento oculto a hematoquezia maciça, e a avaliação da estabilidade hemodinâmica é o primeiro passo crucial. O diagnóstico diferencial é amplo, mas a história clínica e o exame físico, juntamente com exames laboratoriais (hemograma, função renal, coagulograma), guiam a investigação. Pacientes com anemia significativa e sinais de hipovolemia, como o caso descrito, demandam atenção imediata. A colonoscopia é o principal método diagnóstico e terapêutico, permitindo a visualização direta da lesão e a intervenção endoscópica. Em casos de sangramento refratário ou maciço, outras modalidades como angiografia com embolização ou cirurgia (hemicolectomia) podem ser necessárias. Para residentes, é fundamental reconhecer que sangramentos retais em idosos, mesmo que inicialmente atribuídos a hemorroidas, devem ser investigados agressivamente se houver anemia ou instabilidade. A elevação de ureia e creatinina, como no caso, pode indicar hipovolemia pré-renal, reforçando a gravidade da perda sanguínea. A conduta deve ser escalonada, começando pela estabilização, seguida por métodos diagnósticos e terapêuticos menos invasivos, progredindo para opções cirúrgicas apenas quando indicado.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de hemorragia digestiva baixa em idosos?

As causas mais comuns de hemorragia digestiva baixa em idosos são diverticulose colônica (responsável por cerca de 30-50% dos casos), angiodisplasias (malformações arteriovenosas) e, em menor proporção, pólipos e neoplasias.

Qual a conduta inicial para um paciente idoso com sangramento retal e instabilidade hemodinâmica?

A conduta inicial é a estabilização hemodinâmica, que inclui acesso venoso calibroso, reposição volêmica com cristaloides, transfusão de hemoderivados se necessário (Hb < 7 g/dL ou instabilidade), e monitorização rigorosa. Após estabilização, procede-se à investigação diagnóstica.

Quando a colonoscopia é indicada na hemorragia digestiva baixa?

A colonoscopia é o método diagnóstico e terapêutico de escolha para a maioria dos casos de hemorragia digestiva baixa, sendo indicada após a estabilização hemodinâmica. Ela permite identificar a fonte do sangramento e realizar hemostasia endoscópica.

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