Sangramento Retal: Investigação e Diagnóstico

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 61a, vem com queixa de sangue vivo nas fezes há cerca de quatro meses. O sangue é em pequena quantidade e não há dor ao evacuar. Nega náusea, vômitos ou perda de peso. Nega história familiar de neoplasia. Antecedente pessoal: diabete melito tipo 2, em uso de metformina. Exame físico: descorada +/4+.PARA O PROSSEGUIMENTO DA INVESTIGAÇÃO ETIOLÓGICA DEVE REALIZAR:

Alternativas

  1. A) Tomografia computadorizada de abdome e sangue oculto nas fezes.
  2. B) Tomografia computadorizada de abdome e enema opaco.
  3. C) Toque retal e pesquisa de sangue oculto nas fezes.
  4. D) Toque retal e colonoscopia.

Pérola Clínica

Sangramento retal em > 50 anos + anemia → Toque retal + Colonoscopia para excluir neoplasia.

Resumo-Chave

Sangramento vivo nas fezes, mesmo em pequena quantidade e sem dor, em pacientes acima de 50 anos, especialmente com anemia, exige investigação completa para excluir neoplasia colorretal. O toque retal é o exame inicial fundamental, seguido pela colonoscopia, que é o padrão ouro para visualização e biópsia de lesões no cólon e reto.

Contexto Educacional

O sangramento vivo nas fezes, também conhecido como hematoquezia, é um sintoma que sempre exige investigação, especialmente em pacientes acima de 50 anos de idade. Embora muitas vezes seja atribuído a causas benignas como hemorroidas, é imperativo descartar condições mais graves, como o câncer colorretal, que é uma das neoplasias mais comuns e com alta taxa de morbimortalidade se diagnosticada tardiamente. A presença de anemia, como indicado pela descoloração no exame físico, reforça a necessidade de uma investigação aprofundada, pois sugere sangramento crônico. Este cenário é frequentemente abordado em questões de residência e é um ponto crítico na prática clínica. A investigação etiológica do sangramento digestivo baixo deve iniciar com uma anamnese detalhada e um exame físico completo, incluindo o toque retal. O toque retal é um exame simples, mas fundamental, que pode identificar lesões anais, massas retais ou a presença de sangue fresco. Após essa avaliação inicial, a colonoscopia é considerada o padrão ouro para a investigação de sangramento digestivo baixo. Ela permite a visualização direta da mucosa do cólon e reto, a identificação precisa da fonte do sangramento, a biópsia de lesões suspeitas e, em muitos casos, a realização de intervenções terapêuticas como a polipectomia. Para residentes, é crucial entender que exames como a tomografia computadorizada de abdome ou o enema opaco têm um papel limitado na investigação de sangramento digestivo baixo, pois são menos sensíveis para lesões mucosas e não permitem a biópsia. A pesquisa de sangue oculto nas fezes é um método de rastreamento para pacientes assintomáticos, mas não deve substituir a investigação direta em pacientes com sangramento visível. O manejo adequado e a investigação precoce são essenciais para um diagnóstico preciso e um tratamento oportuno, impactando diretamente o prognóstico do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de sangue vivo nas fezes em adultos?

As causas mais comuns incluem hemorroidas, fissuras anais, diverticulose, colite (infecciosa, isquêmica, inflamatória), angiodisplasia e neoplasias colorretais. A idade do paciente e a presença de outros sintomas ajudam a direcionar a investigação.

Por que a colonoscopia é o exame de escolha para investigar sangramento digestivo baixo?

A colonoscopia permite a visualização direta de toda a mucosa do cólon e reto, identificando a fonte do sangramento, permitindo a biópsia de lesões suspeitas e, em alguns casos, a realização de hemostasia terapêutica. É superior a exames radiológicos como enema opaco para detecção de lesões mucosas.

Qual a importância do toque retal na avaliação de sangramento nas fezes?

O toque retal é um exame físico simples e rápido que pode identificar lesões anais (hemorroidas, fissuras), massas retais palpáveis e a presença de sangue no dedo enluvado, fornecendo informações cruciais para a investigação inicial do sangramento digestivo baixo.

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