SMS Campo Grande - Secretaria Municipal de Saúde (MS) — Prova 2021
Paciente masculino, 62 anos, obeso é admitido na sala de emergência com sudorese fria, confuso, palidez cutâneo mucosa e com as calças sujas de sangue vivo. Ao retirar suas vestes observa-se saída de sangue vivo do ânus. Abdome globoso, sem defesa à palpação, sem massas palpáveis. Toque retal apenas com presença de sangue vivo na luva, sem evidências de nódulos ou tumorações ao toque. PA: 80/60mmHg, FC 118bpm. Coleta de história complementar com acompanhante relata que o paciente é hipertenso, diabético, faz uso de losartana, metformina e AAS, sem cirurgias abdominais previas. Relata história de constipação intestinal e antes do quadro atual queixava-se de dores abdominais leves. Não apresentou vômitos. Diante do quadro exposto, assinale a alternativa correta:
HDB maciça em idoso, com uso de AAS e histórico de constipação → pensar em doença diverticular do cólon.
Hemorragia digestiva baixa (HDB) maciça em pacientes idosos, especialmente aqueles em uso de antiagregantes como AAS e com histórico de constipação, tem a doença diverticular do cólon como a causa mais comum. A apresentação com sangue vivo do ânus e sinais de choque é típica, exigindo estabilização e investigação rápida.
A Hemorragia Digestiva Baixa (HDB) é uma condição clínica comum, especialmente em idosos, e pode variar de sangramentos leves e autolimitados a quadros maciços com instabilidade hemodinâmica. É definida como sangramento originado distalmente ao ângulo de Treitz. A identificação rápida da causa e o manejo adequado são cruciais para a sobrevida do paciente, sendo um tema de grande relevância para residentes. A doença diverticular do cólon é a causa mais frequente de HDB maciça em idosos, responsável por até 50% dos casos. Os divertículos são saculações da mucosa e submucosa através da camada muscular do cólon, mais comuns no cólon descendente e sigmoide. O sangramento ocorre devido à ruptura de vasos sanguíneos na base do divertículo. Fatores de risco incluem idade avançada, constipação, dieta pobre em fibras e uso de antiagregantes ou anticoagulantes. O quadro clínico típico é de sangramento indolor, de início súbito, com sangue vivo pelo ânus, podendo levar a choque hipovolêmico. O diagnóstico e tratamento da HDB envolvem estabilização hemodinâmica inicial, seguida pela localização da fonte do sangramento. Métodos diagnósticos incluem colonoscopia (preferencial), angiografia e cintilografia com hemácias marcadas. O tratamento pode ser endoscópico (infiltração, clipagem), angiográfico (embolização) ou, em casos refratários ou de instabilidade persistente, cirúrgico (colectomia). A suspensão de medicamentos que aumentam o risco de sangramento, se possível, é parte do manejo.
Em idosos, as causas mais comuns de HDB incluem doença diverticular (a mais frequente), angiodisplasias, colite isquêmica, pólipos e neoplasias colorretais, sendo a diverticulose responsável pela maioria dos casos maciços.
A HDA geralmente se manifesta com hematêmese (vômito com sangue) ou melena (fezes escuras, pastosas e fétidas). A HDB tipicamente apresenta hematoquezia (sangue vivo no ânus), como no caso descrito, embora sangramento maciço de HDA possa ocasionalmente causar hematoquezia.
O uso de antiagregantes plaquetários como o AAS aumenta significativamente o risco de sangramento em pacientes com doença diverticular, pois interfere na hemostasia e pode agravar a perda sanguínea, tornando o quadro mais grave e prolongado.
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