UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Uma paciente de 70 anos de idade chega ao serviço de emergência relatando fraqueza e dispneia. Aponta que, nos últimos três dias, teve sangramento retal moderado. Refere hemorroidas há mais de oito anos. Ao exame, hipocorada, taquicárdica, eupneica. Pressão arterial (PA) = 100x60mmhg, temperatura axilar (TAX) = 37,4ºC. Exames iniciais: hemoglobina (HB) = 6,9mg/dl, hematócrito (HT) = 22%, leucócitos = 11.200/mm, bastões = 4%, ureia = 115mg/dl, creatinina = 1,4mg/dl. Quais são o provável diagnóstico e a conduta mais apropriada, após medidas de estabilização iniciais?
Sangramento digestivo baixo em idoso com anemia e instabilidade hemodinâmica → Diverticulose é causa comum, conduta inicial expectante após estabilização.
Em pacientes idosos com sangramento digestivo baixo e instabilidade hemodinâmica, a diverticulose é uma causa frequente. Após a estabilização inicial com fluidos e transfusão, a conduta é geralmente expectante, pois a maioria dos sangramentos diverticulares cessa espontaneamente. A elevação da ureia com creatinina normal pode indicar hipovolemia e hipoperfusão renal.
A hemorragia digestiva baixa (HDB) é definida como sangramento distal ao ligamento de Treitz, sendo mais comum em idosos. As principais causas incluem diverticulose (responsável por até 50% dos casos), angiodisplasias, colites e neoplasias. A apresentação clínica varia de sangramento oculto a hemorragia maciça com instabilidade hemodinâmica, como no caso apresentado. A avaliação inicial de um paciente com HDB deve focar na estabilização hemodinâmica, com monitorização de sinais vitais, acesso venoso calibroso, reposição volêmica e transfusão sanguínea conforme a necessidade. A presença de anemia grave (Hb < 7 g/dL) e instabilidade (PA 100x60 mmHg, taquicardia) indica a urgência da situação. A elevação da ureia com creatinina normal pode ser um marcador de hipovolemia ou sangramento digestivo alto, mas no contexto de sangramento retal, reforça a hipovolemia. Após a estabilização, a investigação da causa pode incluir colonoscopia (quando o sangramento cessar ou for lento), angiotomografia ou cintilografia com hemácias marcadas (para sangramentos ativos). A maioria dos sangramentos diverticulares cessa espontaneamente, tornando a conduta expectante a mais apropriada após a estabilização inicial. Intervenções como cirurgia ou embolização são reservadas para casos de sangramento refratário ou recorrente.
Sinais de alerta incluem hipotensão, taquicardia, anemia grave (Hb < 7 g/dL), e sangramento retal volumoso, indicando necessidade de estabilização hemodinâmica imediata.
A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica com acesso venoso, reposição volêmica com cristaloides, transfusão sanguínea se necessário, e monitorização rigorosa.
O sangramento diverticular é geralmente indolor e volumoso. Outras causas incluem angiodisplasias (sangramento intermitente), colite isquêmica (dor abdominal), e neoplasias (sangramento crônico, alteração do hábito intestinal).
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