UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024
Um homem de 40 anos chega à unidade básica de saúde trazido por vizinhos, prostrado, com queixa de dor abdominal iniciada há menos de 24h. Os vizinhos contam que ele é etilista há muitos anos e que o encontraram desacordado no banheiro com as calças e o vaso sanitário sujos de sangue vermelho vivo em grande quantidade. O exame físico mostra hipotensão arterial, sudorese, extremidades frias e taquicardia. Em relação ao quadro acima, o médico deve:
Etilista crônico com hemorragia digestiva maciça e choque → estabilizar hemodinamicamente e encaminhar para serviço de urgência para endoscopia/colonoscopia.
Um paciente etilista crônico com sangramento gastrointestinal maciço e sinais de choque hipovolêmico necessita de estabilização hemodinâmica imediata (reposição volêmica) e encaminhamento urgente para um serviço de emergência com capacidade para realizar endoscopia digestiva alta e/ou colonoscopia para diagnóstico e tratamento da causa do sangramento.
A hemorragia digestiva maciça em um paciente etilista crônico é uma emergência médica grave que exige reconhecimento rápido e manejo agressivo. O etilismo crônico predispõe a diversas condições que podem levar a sangramentos gastrointestinais, como varizes esofágicas ou gástricas (devido à hipertensão portal), gastropatia hipertensiva portal, úlceras pépticas e síndrome de Mallory-Weiss. A apresentação com sangue vermelho vivo em grande quantidade e sinais de choque hipovolêmico (hipotensão, taquicardia, sudorese, extremidades frias) indica uma perda volêmica significativa. A conduta inicial em qualquer nível de atenção à saúde deve focar na estabilização hemodinâmica. Isso inclui a obtenção de acessos venosos calibrosos e o início imediato da reposição volêmica com cristaloides. No entanto, uma unidade básica de saúde não possui os recursos necessários para o manejo definitivo de uma hemorragia digestiva maciça com choque, como endoscopia digestiva de urgência, transfusão de hemoderivados ou monitorização intensiva. Portanto, após a estabilização inicial, o paciente deve ser encaminhado com urgência para um hospital de maior complexidade. Lá, a investigação diagnóstica por endoscopia digestiva alta e/ou colonoscopia será realizada para identificar a fonte do sangramento e aplicar o tratamento endoscópico apropriado. A reposição de vitaminas do complexo B é importante para etilistas, mas não é a prioridade imediata diante de um choque hemorrágico.
Os sinais de choque hipovolêmico incluem hipotensão arterial, taquicardia, sudorese, extremidades frias, tempo de enchimento capilar prolongado, alteração do nível de consciência e oligúria.
O encaminhamento é crucial porque o paciente apresenta hemorragia digestiva maciça com choque hipovolêmico, necessitando de recursos que uma unidade básica de saúde não possui, como acesso a endoscopia/colonoscopia de emergência, transfusão de hemoderivados e monitorização intensiva.
Em etilistas crônicos, as causas comuns de hemorragia digestiva incluem varizes esofágicas ou gástricas (secundárias à hipertensão portal), gastropatia hipertensiva portal, úlceras pépticas, síndrome de Mallory-Weiss e, menos frequentemente, sangramento de divertículos ou angiodisplasias.
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