Diverticulorragia: Diagnóstico e Manejo da Hemorragia Baixa

Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 68 anos, sexo masculino, vem ao Pronto Atendimento referindo 3 episódios de sangramento retal de moderada quantidade. Nega perda da consciência. Relata dor abdominal leve, tipo cólica, seguida de evacuações sanguinolentas (“vermelho vivo”), com subsequente melhora da dor. Nega perda ponderal e alterações do hábito intestinal. Diz nunca ter tido esse quadro anteriormente. É hipertenso leve em uso contínuo de anti-hipertensivo. Ao exame: bom estado geral, descorado +/4+, desidratado +/4+, frequência cardíaca de 96 bpm, frequência respiratória de 18 mpm, pressão arterial de 100 x 60 mmHg e discretamente sudoreico. Toque retal revela pouco conteúdo fecal e conteúdo sanguinolento na ampola retal. Anuscopia não revela fissuras ou doença hemorroidária. Diante do quadro clínico, qual sua hipótese diagnóstica e conduta?

Alternativas

  1. A) Diverticulorragia / Reposição volêmica, exames laboratoriais, preparo de cólon anterógrado, endoscopia digestiva alta e colonoscopia.
  2. B) Úlcera duodenal com sangramento ativo / Reposição volêmica com soro fisiológico, exames laboratoriais, endoscopia digestiva alta.
  3. C) Colopatia actínica / Reposição volêmica com soro glicosado, exames laboratoriais, endoscopia digestiva alta e colonoscopia sem preparo de cólon. 
  4. D) Diverticulorragia / Reposição volêmica com soro glicosado, exames laboratoriais e colonoscopia sem preparo de cólon.
  5. E) Neoplasia de cólon obstrutiva / Reposição volêmica com soro fisiológico, exames laboratoriais e colonoscopia descompressiva.

Pérola Clínica

Idoso com sangramento retal vermelho vivo indolor ou com dor cólica que cede + instabilidade hemodinâmica → suspeitar diverticulorragia.

Resumo-Chave

A diverticulorragia é a causa mais comum de sangramento digestivo baixo em idosos, caracterizada por sangramento vermelho vivo, geralmente indolor ou com dor cólica que melhora após a evacuação. A instabilidade hemodinâmica exige reposição volêmica imediata e investigação com colonoscopia após preparo.

Contexto Educacional

A hemorragia digestiva baixa (HDB) é uma condição comum em pronto-socorro, e a diverticulorragia é a causa mais frequente em pacientes idosos. A diverticulose colônica, caracterizada pela presença de divertículos na parede do cólon, é prevalente com o avanço da idade. A importância clínica reside na necessidade de um diagnóstico rápido e manejo adequado para evitar complicações graves, como choque hipovolêmico. A fisiopatologia da diverticulorragia envolve a erosão de vasos sanguíneos adjacentes aos divertículos, resultando em sangramento arterial. O diagnóstico é suspeitado pela clínica de sangramento retal vermelho vivo, muitas vezes volumoso e indolor ou com dor cólica que cede. A instabilidade hemodinâmica (taquicardia, hipotensão, palidez, sudorese) indica perda volêmica significativa. É crucial diferenciar de outras causas de HDB. A conduta inicial é a estabilização hemodinâmica com reposição volêmica agressiva (soro fisiológico). Após a estabilização, exames laboratoriais são coletados e a colonoscopia é o método diagnóstico e terapêutico de escolha, idealmente após preparo de cólon anterógrado para melhor visualização. A endoscopia digestiva alta pode ser considerada para excluir sangramento do trato gastrointestinal superior em casos de dúvida ou sangramento maciço.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas da diverticulorragia?

A diverticulorragia geralmente se manifesta como sangramento retal vermelho vivo, indolor ou associado a dor abdominal tipo cólica que melhora após a evacuação, em pacientes idosos.

Qual a conduta inicial para um paciente com suspeita de diverticulorragia e instabilidade hemodinâmica?

A conduta inicial é a reposição volêmica agressiva com cristaloides (soro fisiológico), estabilização hemodinâmica, coleta de exames laboratoriais e, após estabilização e preparo, colonoscopia.

Por que a colonoscopia é o exame de escolha na diverticulorragia?

A colonoscopia é o exame de escolha porque permite não apenas o diagnóstico da fonte do sangramento, mas também a realização de terapêutica endoscópica para controle da hemorragia.

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