UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Paciente masculino, 51 anos de idade, apresentou mal-estar com náuseas, seguido de hematêmese e pré-síncope no centro da cidade de Florianópolis. Acionado por populares, o SAMU o re-moveu para a emergência do Hospital Universitário. No transporte, apresentou mais um episódio de hematêmese. Chegando à emergência, você é chamado para avaliar o paciente e constata PA = 90/40 mmHg, FC = 110 bmp, FR = 24 mrm, T = 35,8 ºC, Sat = 95%, palidez cutaneomucosa, diafo-rese. Paciente encontra-se alerta, orientado, mas algo agitado, ictérico+, hipocorado++. Ao exame abdominal: fígado e baço não palpáveis; traube ocupado. O restante do exame físico, em uma rápida avaliação, sem particularidades. Paciente nega doenças atuais e refere no histórico pessoal aci-dente automobilístico há 22 anos, quando recebeu transfusão de sangue. Você inicia a ressuscitação volêmica e solicita exames de sangue. Após 30 minutos, o laboratório liga, passando os seguintes resultados: Hb = 9,2 g/dl; Ht = 27%; leucócitos = 4.500/mm³ (diferencial normal); plaquetas = 68.000/mm3; TAP = 40% de atividade de protrombina; albumina = 3,1 g/dl. Após uma hora na emergência, apresenta um episódio de melena em grande quantidade e nova queda pressórica. Diante desse quadro clínico, assinale a opção correta.
HDA varicosa + instabilidade hemodinâmica → EDA precoce (<12h) com ligadura elástica/escleroterapia + ressuscitação + terlipressina + ATB profilaxia.
Em pacientes com suspeita de Hemorragia Digestiva Alta (HDA) varicosa e instabilidade hemodinâmica, a prioridade é a ressuscitação volêmica e o acionamento imediato da endoscopia digestiva alta (EDA). A EDA deve ser realizada nas primeiras 12 horas para diagnóstico e tratamento endoscópico, preferencialmente com ligadura elástica, que é o método de escolha para varizes esofágicas sangrantes.
A Hemorragia Digestiva Alta (HDA) varicosa é uma complicação grave da hipertensão portal, frequentemente associada à cirrose hepática, e representa uma emergência médica com alta morbimortalidade. Pacientes com HDA varicosa geralmente se apresentam com hematêmese e/ou melena, acompanhadas de sinais de instabilidade hemodinâmica como hipotensão e taquicardia. A história de transfusão sanguínea antiga pode sugerir uma etiologia para doença hepática crônica, como hepatite C ou B, que evoluiu para cirrose. O manejo inicial foca na ressuscitação volêmica agressiva para estabilizar o paciente, utilizando cristaloides e, se necessário, hemoderivados (concentrado de hemácias, plaquetas, plasma fresco congelado) para corrigir anemia e coagulopatia. Simultaneamente, devem ser iniciados medicamentos vasoativos esplâncnicos, como terlipressina ou octreotide, que reduzem o fluxo sanguíneo portal e a pressão nas varizes. A antibioticoprofilaxia é fundamental em pacientes cirróticos com HDA, mesmo sem ascite, pois reduz o risco de infecções bacterianas e melhora a sobrevida. A endoscopia digestiva alta (EDA) é a ferramenta diagnóstica e terapêutica mais importante e deve ser realizada idealmente nas primeiras 12 horas após a estabilização inicial. A ligadura elástica é o método endoscópico de escolha para o controle do sangramento de varizes esofágicas, sendo superior à escleroterapia em termos de eficácia e menor taxa de complicações. A pronta atuação e a adesão aos protocolos são cruciais para o sucesso no manejo desses pacientes complexos.
Sinais clínicos incluem hematêmese, melena, hipotensão, taquicardia e sinais de doença hepática crônica (icterícia, ascite, esplenomegalia). Laboratorialmente, pode-se encontrar plaquetopenia, coagulopatia (TAP prolongado) e hipoalbuminemia, indicativos de disfunção hepática.
A EDA é crucial para confirmar a origem varicosa do sangramento, identificar o local exato e realizar o tratamento endoscópico, como ligadura elástica ou escleroterapia, que são as terapias de primeira linha para controlar o sangramento ativo e prevenir ressangramentos.
Outras medidas incluem ressuscitação volêmica com cristaloides e hemoderivados (se necessário), uso de drogas vasoativas esplâncnicas (ex: terlipressina, octreotide) para reduzir a pressão portal, e antibioticoprofilaxia para prevenir infecções bacterianas, que são comuns em cirróticos e aumentam a mortalidade.
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