HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2021
Homem, 68 anos de idade, portador de cirrose hepática avançada, é admitido no PS com queixa de vômitos com sangue (2 episódios com aproximadamente 100 ml cada), associado a tontura e sudorese. Exame físico: sonolento; ictérico 2+; presença de teleangiectasias torácicas e abdominais; FC = 120 bpm; PA = 90 x 50 mmHg; abdome ascítico, indolor à palpação; toque retal com melena. Não há endoscopia digestiva alta disponível nas próximas 6 horas. Após ressuscitação volêmica, qual é a conduta mais apropriada?
Hemorragia varicosa grave sem EDA imediata → Balão de Sengstaken-Blakemore após ressuscitação.
Em pacientes com cirrose e hemorragia digestiva alta grave, a suspeita de sangramento por varizes esofágicas é alta. Na ausência de endoscopia digestiva alta imediata para hemostasia, o balão de Sengstaken-Blakemore é uma medida temporária de salvamento para controlar o sangramento e estabilizar o paciente.
A hemorragia digestiva alta (HDA) por varizes esofágicas é uma complicação grave e potencialmente fatal da hipertensão portal, comum em pacientes com cirrose hepática avançada. A mortalidade associada a esses episódios é alta, e o manejo rápido e eficaz é crucial. A apresentação clínica inclui hematêmese, melena e sinais de choque hipovolêmico, como taquicardia, hipotensão e alteração do nível de consciência. O diagnóstico presuntivo de HDA varicosa em um paciente cirrótico com sangramento gastrointestinal é feito com base na história clínica e exame físico. A ressuscitação volêmica agressiva com cristaloides e hemoderivados é a prioridade inicial para estabilizar o paciente. O tratamento definitivo envolve a endoscopia digestiva alta para ligadura elástica ou escleroterapia das varizes. No entanto, em situações de sangramento maciço e refratário, ou quando a endoscopia não está imediatamente disponível, medidas de resgate são necessárias. Nesse cenário de urgência e indisponibilidade de endoscopia, o balão de Sengstaken-Blakemore (ou balões similares como o Linton-Nachlas) é a conduta mais apropriada após a ressuscitação volêmica. Ele atua por tamponamento mecânico das varizes sangrantes no esôfago e/ou estômago, controlando temporariamente a hemorragia. Embora seja uma medida de salvamento, seu uso está associado a complicações graves e deve ser considerado uma ponte para o tratamento endoscópico ou outras terapias definitivas, como TIPS (shunt portossistêmico intra-hepático transjugular).
Sinais incluem hematêmese (vômitos com sangue), melena (fezes escuras e pastosas), instabilidade hemodinâmica (taquicardia, hipotensão), tontura e sudorese, indicando perda volêmica significativa.
O balão de Sengstaken-Blakemore é um método de tamponamento mecânico temporário para controlar sangramentos varicosos esofágicos ou gástricos refratários, estabilizando o paciente até que uma endoscopia ou tratamento definitivo possa ser realizado.
As complicações incluem necrose esofágica, aspiração pulmonar, perfuração esofágica ou gástrica e obstrução das vias aéreas. Seu uso requer monitoramento intensivo e é geralmente limitado a 24 horas.
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