HDA Varicosa: Manejo, TIPS e Complicações em Cirróticos

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2015

Enunciado

Sobre a Hemorragia Digestiva Alta (HDA) varicosa, em pacientes cirróticos, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) O tamponamento com balão de Sengstaken-Blakemore (que deve ser mantido insuflado por, no máximo, 6 horas), e empregado apenas nos pacientes hemodinamicamente estáveis, quando não se dispõe de endoscopia de urgência.
  2. B) O TIPS (Shunt Portossistêmico Intra-hepático Transjugular) é um procedimento que envolve a criação de um canal entre a veia porta e a veia cava inferior por meio de uma prótese vascular que passa anteriormente ao fígado. 
  3. C) O TIPS pode ser indicado na vigência de HDA grave e refratária ao tratamento endoscópico, com bons resultados em interromper o sangramento. Entretanto, podem ocorrer complicações com encefalopatia portossistêmica e estenose/trombose da prótese.
  4. D) O uso de terlipressina na HDA varicosa está em desuso, devido aos seus maus resultados em controlar o sangramento por varizes esôfago-gástricas em cirróticos. Atualmente são preferidos a noradrenalina e o octreotida para vasoconstrição esplâncnica e consequente redução da pressão nas varizes.
  5. E) Os shunts portossistêmicos cirúrgicos, como shunt esplenorrenal distal (Warren) e as derivações porto-cavais, são bastante utilizados atualmente. Têm poucas complicações e melhores resultados que o TIPS, na maioria dos casos, evitando, em longo prazo, a evolução para necessidade de transplante de fígado. 

Pérola Clínica

TIPS é eficaz na HDA varicosa refratária, mas pode causar encefalopatia e estenose da prótese.

Resumo-Chave

O TIPS (Shunt Portossistêmico Intra-hepático Transjugular) é uma opção terapêutica importante para a Hemorragia Digestiva Alta (HDA) varicosa refratária ao tratamento endoscópico e farmacológico. Ele desvia o fluxo sanguíneo portal, reduzindo a pressão nas varizes, mas tem como potenciais complicações a encefalopatia portossistêmica e a disfunção da prótese.

Contexto Educacional

A Hemorragia Digestiva Alta (HDA) varicosa é uma complicação grave da hipertensão portal, frequentemente associada à cirrose hepática, e representa uma emergência médica com alta morbimortalidade. É fundamental que residentes e estudantes de medicina dominem o manejo desses pacientes, que exige uma abordagem rápida e coordenada. A fisiopatologia envolve a ruptura de varizes esofágicas ou gástricas, que se formam devido ao aumento da pressão no sistema porta. O tratamento inicial visa a estabilização hemodinâmica, proteção da via aérea, uso de drogas vasoativas (terlipressina, octreotida) para reduzir o fluxo sanguíneo esplâncnico e antibioticoprofilaxia. A endoscopia digestiva alta de urgência é o pilar do diagnóstico e tratamento, permitindo a ligadura elástica ou escleroterapia das varizes. Em casos de sangramento refratário ou recorrente, o Shunt Portossistêmico Intra-hepático Transjugular (TIPS) é uma opção eficaz. O TIPS cria um canal entre a veia porta e a veia hepática, descomprimindo o sistema portal e controlando o sangramento. Embora seja altamente eficaz, o TIPS pode levar a complicações como encefalopatia portossistêmica e disfunção do shunt. Os shunts cirúrgicos, embora eficazes, são menos utilizados na fase aguda devido à maior morbimortalidade e são geralmente reservados para casos selecionados de profilaxia secundária em pacientes com boa função hepática.

Perguntas Frequentes

Qual a conduta inicial na HDA varicosa em pacientes cirróticos?

A conduta inicial inclui estabilização hemodinâmica, proteção de via aérea se necessário, uso de drogas vasoativas (terlipressina ou octreotida) e antibioticoprofilaxia, seguida de endoscopia digestiva alta para diagnóstico e tratamento (ligadura elástica ou escleroterapia).

Quando o tamponamento com balão é indicado na HDA varicosa?

O tamponamento com balão (Sengstaken-Blakemore ou Linton) é uma medida temporária de resgate, indicada em sangramentos maciços e refratários que não respondem à terapia endoscópica e farmacológica, como ponte para um tratamento definitivo.

Quais são as principais complicações do TIPS?

As principais complicações do TIPS incluem encefalopatia portossistêmica (devido ao desvio do sangue portal do fígado), estenose ou trombose da prótese (levando à disfunção do shunt) e, menos comumente, insuficiência cardíaca.

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