HDA Varicosa: Manejo da Ressuscitação Hemodinâmica

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2020

Enunciado

Assinale a alternativa correta em relação ao tratamento de um paciente com hemorragia digestiva alta varicosa que chega à sala de emergência com quadro de hematêmese.

Alternativas

  1. A) Deve-se iniciar o tratamento com a passagem do balão esofágico de Sengstaken- Blakemore.
  2. B) Deve-se realizar a transfusão de hemoderivados quando a dosagem de hemoglobina estiver menor que 10.
  3. C) Na ressuscitação hemodinâmica, pode-se manter o paciente em hipotensão relativa, com níveis de pressão sistólica entre 90-100 mmHg e frequência cardíaca abaixo de 100 bpm.
  4. D) O uso da vasopressina deve ser iniciado precocemente em pacientes com hipotensão de difícil controle.
  5. E) O tratamento endoscópico deve preceder ao tratamento farmacológico em pacientes com hematêmese.

Pérola Clínica

HDA varicosa → ressuscitação hemodinâmica com hipotensão relativa (PAS 90-100 mmHg) para evitar ressangramento.

Resumo-Chave

No manejo da hemorragia digestiva alta varicosa, a ressuscitação hemodinâmica deve ser cautelosa, visando uma hipotensão relativa (pressão arterial sistólica entre 90-100 mmHg e frequência cardíaca abaixo de 100 bpm). Essa abordagem restritiva minimiza o risco de ressangramento ao evitar o aumento excessivo da pressão portal e a formação de coágulos instáveis.

Contexto Educacional

A hemorragia digestiva alta (HDA) varicosa é uma emergência médica grave, com alta morbidade e mortalidade, que ocorre em pacientes com hipertensão portal, geralmente secundária à cirrose hepática. A hematêmese é o sintoma mais comum, indicando sangramento ativo de varizes esofágicas ou gástricas. O manejo inicial rápido e adequado é crucial para a sobrevida do paciente. A ressuscitação hemodinâmica em HDA varicosa difere da HDA não varicosa. A estratégia recomendada é a de "hipotensão relativa" ou "ressuscitação restritiva", mantendo a pressão arterial sistólica entre 90-100 mmHg e a frequência cardíaca abaixo de 100 bpm. Essa abordagem visa manter a perfusão tecidual adequada sem aumentar excessivamente a pressão portal, o que poderia precipitar o ressangramento. A transfusão de hemoderivados também segue uma estratégia restritiva, com alvo de hemoglobina entre 7-9 g/dL. O tratamento inclui o início precoce de drogas vasoativas (terlipressina, octreotide) para reduzir o fluxo sanguíneo portal, profilaxia antibiótica para prevenir infecções bacterianas (comuns em cirróticos e precipitantes de ressangramento) e endoscopia digestiva alta de emergência para ligadura elástica ou escleroterapia das varizes. O balão de Sengstaken-Blakemore é uma medida temporária de resgate para sangramentos refratários, enquanto a vasopressina não é a primeira escolha devido aos seus efeitos colaterais.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da hipotensão relativa na HDA varicosa?

A hipotensão relativa (PAS 90-100 mmHg) é crucial para evitar o aumento excessivo da pressão portal, que pode desestabilizar o coágulo e precipitar um ressangramento. Uma ressuscitação agressiva com fluidos pode piorar o sangramento.

Quando é indicada a transfusão de hemoderivados em HDA varicosa?

A transfusão de hemoderivados deve seguir uma estratégia restritiva, geralmente indicada quando a hemoglobina está abaixo de 7 g/dL, visando um alvo de 7-9 g/dL. Transfusões excessivas podem aumentar a pressão portal e o risco de ressangramento.

Qual o papel do tratamento farmacológico e endoscópico na HDA varicosa?

O tratamento farmacológico com drogas vasoativas (ex: terlipressina, octreotide) deve ser iniciado precocemente, antes da endoscopia, para reduzir o fluxo sanguíneo portal. A endoscopia digestiva alta é então realizada para identificar a fonte do sangramento e aplicar tratamento hemostático (ligadura elástica ou escleroterapia).

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