FAA/UNIFAA - Hospital Escola Luiz Gioseffi Jannuzzi (RJ) — Prova 2015
Paciente de 60 anos, etilista pesado (80g de álcool por dia), deu entrada no Pronto- Socorro com dor abdominal aguda e dois episódios de hematêmese nos últimos 2 dias. Ao exame: PA= 80 x 60 mmHg, FC= 110 bpm, hipocorado, desidratado, afebril, confuso e com flapping +. Abdome globoso, difusamente doloroso à palpação, presença de ascite de grande volume e com edema de membros inferiores. Sobre esse caso clínico, analise as afirmações e marque a INCORRETA:
Sangramento digestivo alto em cirrótico com instabilidade hemodinâmica → estabilização prioritária antes de EDA.
Paciente etilista com cirrose e hematêmese, apresentando choque (PA 80x60, FC 110), confusão e flapping, tem como prioridade a estabilização hemodinâmica antes de qualquer procedimento invasivo como a endoscopia digestiva alta. A paracentese é indicada para investigar a ascite.
A hemorragia digestiva alta (HDA) é uma complicação grave da cirrose hepática, frequentemente causada por sangramento de varizes gastroesofágicas. Pacientes etilistas crônicos são particularmente suscetíveis devido ao risco elevado de desenvolver cirrose. A apresentação com hematêmese e sinais de choque, como hipotensão e taquicardia, exige uma abordagem emergencial e sistemática. A prioridade no manejo de um paciente com HDA e instabilidade hemodinâmica é a estabilização. Isso inclui acesso venoso calibroso, reposição volêmica com cristaloides e, se necessário, hemoderivados. A endoscopia digestiva alta (EDA) é o método diagnóstico e terapêutico de escolha para HDA varicosa, mas deve ser realizada somente após a estabilização do paciente para minimizar riscos. Além da HDA, pacientes cirróticos podem apresentar outras complicações como ascite e encefalopatia hepática (indicada pelo flapping e confusão). A paracentese diagnóstica é fundamental para investigar infecção do líquido ascítico (peritonite bacteriana espontânea), uma complicação comum e grave. A etiologia mais provável do sangramento em um cirrótico é varizes gastroesofágicas, mas outras causas devem ser consideradas após a estabilização.
A principal causa é o sangramento por varizes gastroesofágicas, decorrente da hipertensão portal.
A conduta inicial é a estabilização hemodinâmica, com reposição volêmica agressiva, transfusão de hemoderivados se necessário, e proteção de via aérea, antes de procedimentos diagnósticos ou terapêuticos.
A paracentese diagnóstica é indicada para investigar a etiologia da ascite, especialmente em pacientes com cirrose e dor abdominal, para descartar peritonite bacteriana espontânea.
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