HDA Varicosa: Manejo na Ausência de Endoscopia

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Pessoa em situação de rua é admitida na emergência. Apresenta-se inconsciente, com hemorragia digestiva alta e choque hipovolêmico pouco responsivo à ressuscitação volêmica. O exame físico revelou aranhas vasculares periumbilical e volumosa hérnia umbilical, não sendo possível a realização de endoscopia nessa unidade hospitalar para confirmar a hipótese diagnóstica. Nesse caso, a melhor conduta consiste em:

Alternativas

  1. A) Angioembolização na hemodinâmica.
  2. B) Ligadura cirúrgica da artéria gástrica esquerda.
  3. C) Gastrotomia cirúrgica e sutura das varizes sangrantes.
  4. D) Passagem de balão para estabilidade e avaliação de transferência.

Pérola Clínica

HDA varicosa + choque refratário + sem EDA → Balão de Sengstaken-Blakemore (ponte).

Resumo-Chave

Em cenários de hemorragia varicosa maciça com instabilidade hemodinâmica e indisponibilidade de endoscopia imediata, o tamponamento com balão serve como medida salvadora temporária.

Contexto Educacional

O manejo da HDA varicosa em unidades sem suporte avançado exige priorizar a estabilização hemodinâmica. O balão de Sengstaken-Blakemore atua comprimindo mecanicamente as varizes esofágicas e gástricas, cessando o sangramento em até 90% dos casos temporariamente. É fundamental garantir a proteção de via aérea (intubação orotraqueal) antes da passagem do balão para prevenir aspiração massiva de sangue ou conteúdo gástrico. Além do tamponamento mecânico, o manejo deve incluir a ressuscitação volêmica parcimoniosa e o início de drogas vasoativas esplâncnicas (como terlipressina ou octreotide) e antibioticoterapia profilática, mesmo antes da transferência do paciente para uma unidade com suporte endoscópico.

Perguntas Frequentes

Quando indicar o balão de Sengstaken-Blakemore?

É indicado em sangramentos varicosos maciços refratários à terapia farmacológica e endoscópica, ou como ponte para tratamento definitivo quando a endoscopia não está disponível imediatamente em pacientes instáveis com choque hipovolêmico.

Quais as principais complicações do balão?

As complicações incluem pneumonia por aspiração, necrose esofágica por pressão excessiva e ruptura esofágica. Por isso, a intubação orotraqueal é recomendada antes da passagem do balão para proteção da via aérea.

Por quanto tempo o balão pode permanecer insuflado?

O tempo máximo recomendado é de 24 horas devido ao alto risco de isquemia e necrose da mucosa esofágica. Deve ser utilizado estritamente como uma medida temporária até a transferência ou disponibilidade de tratamento definitivo.

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