SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2015
Com relação ao tubo digestivo, às suas glândulas anexas e às patologias que acometem esses sistemas, julgue o item subsequente. Dos pacientes cirróticos que têm hipertensão portal e que apresentam um primeiro episódio de hemorragia digestiva alta, apenas 10% têm a segunda ocorrência de sangramento.
Ressangramento de varizes esofágicas ocorre em ~60% dos casos sem profilaxia.
O risco de novo sangramento após o primeiro episódio de HDA varicosa é muito elevado, tornando a profilaxia secundária obrigatória para todos os sobreviventes.
A hipertensão portal na cirrose resulta do aumento da resistência intra-hepática e do fluxo sanguíneo esplâncnico. Quando o gradiente de pressão venosa hepática (GPVH) excede 10-12 mmHg, formam-se varizes esofagogástricas. O sangramento varicoso é uma emergência médica com mortalidade em 6 semanas de aproximadamente 15-20%. O erro da afirmação na questão reside na subestimação drástica da taxa de ressangramento. A história natural da doença mostra que a recidiva hemorrágica é a regra, não a exceção, caso não sejam implementadas medidas para reduzir a pressão portal ou obliterar as varizes. O manejo envolve estabilização hemodinâmica, uso de vasoconstritores esplâncnicos (terlipressina ou octreotide), antibioticoterapia profilática e endoscopia precoce.
Sem tratamento profilático secundário, cerca de 60% a 70% dos pacientes que sobreviveram a um primeiro episódio de hemorragia digestiva alta por varizes esofágicas apresentarão um novo sangramento dentro de um ano. A maioria desses episódios ocorre nos primeiros meses após o evento inicial, o que justifica o início precoce da profilaxia.
A profilaxia secundária padrão-ouro envolve a combinação de terapia farmacológica com betabloqueadores não seletivos (como o propranolol ou nadolol) e terapia endoscópica com ligadura elástica de varizes (LEV). Essa combinação é superior a qualquer uma das modalidades isoladas na redução das taxas de ressangramento e mortalidade.
Fatores como a gravidade da disfunção hepática (Child-Pugh C), a presença de ascite, o tamanho das varizes (calibre grosso), a presença de 'red spots' na endoscopia e a persistência do gradiente de pressão venosa hepática (GPVH) acima de 12 mmHg são preditores importantes de falha terapêutica e novo sangramento.
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