HDA Varicosa: Estabilização e Timing da Endoscopia

UFSCar - Hospital Universitário de São Carlos (SP) — Prova 2020

Enunciado

AM, 65 anos, etilista de 1L de pinga aos finais de semana, hipertenso (em uso de Losartana), evolui com quadro de hematêmese vultuosa, seguida de desmaio, há 15 minutos da admissão. Admitido na Unidade de Emergência do HU, com PA: 80 x 50mmHg, FC: 130 bpm, descorado, com sudorese profusa.Ao exame físico, apresenta rarefação pilosa e algumas telangiectasias em tórax. Em relação a endoscopia no caso apresentando acima:

Alternativas

  1. A) Deve ser realizada imediatamente, pois reduz a mortalidade se realizada dentro de 1h da admissão
  2. B) Não está indicada, pois no caso apresentando o sangramento decorre de varizes de esôfago e, nesse caso, a indicação é pelo balão de Sengstaken-Blakemore
  3. C) Deve ser realizada dentro de 12h da admissão hospitalar após a estabilização hemodinâmica e, se possível, deve-se realizar terapêutica endoscópica.
  4. D) Deve ser realizada somente uma vez, sendo que, em caso de falha, procedimentos adicionais como TIPS (Shunt portossitêmico intra-hepático transjugular está indicado.
  5. E) Deve ser realizada dentro de 6h caso não seja atingida a estabilização hemodinâmica, como tentativa de cessar a hemorragia.

Pérola Clínica

HDA varicosa + instabilidade hemodinâmica → estabilizar antes da EDA, que deve ser feita em 12h para terapêutica.

Resumo-Chave

Paciente com cirrose e HDA varicosa em choque hipovolêmico necessita de estabilização hemodinâmica prioritária. A endoscopia é crucial para diagnóstico e tratamento, mas deve ser realizada após a estabilização, idealmente em até 12 horas.

Contexto Educacional

A hemorragia digestiva alta (HDA) por varizes esofágicas é uma complicação grave da hipertensão portal, frequentemente associada à cirrose hepática, como no caso do paciente etilista. É uma emergência médica com alta mortalidade, exigindo manejo rápido e coordenado. O manejo inicial foca na estabilização hemodinâmica, com reposição volêmica, transfusão de hemácias se necessário, e uso de drogas vasoativas como octreotide ou terlipressina para reduzir o fluxo sanguíneo portal. A endoscopia digestiva alta (EDA) é o pilar diagnóstico e terapêutico, mas sua realização imediata em pacientes instáveis pode ser perigosa. A recomendação atual é realizar a EDA dentro de 12 horas da admissão, após a estabilização hemodinâmica, para permitir a identificação da fonte do sangramento e a aplicação de terapêuticas como a ligadura elástica de varizes. Em casos de falha da terapia endoscópica ou sangramento refratário, procedimentos como o TIPS (Shunt Portossistêmico Intra-hepático Transjugular) podem ser indicados.

Perguntas Frequentes

Qual a prioridade no manejo inicial de um paciente com HDA varicosa e instabilidade hemodinâmica?

A prioridade é a estabilização hemodinâmica, com reposição volêmica agressiva, transfusão de hemácias se necessário, e uso de drogas vasoativas (ex: octreotide) para reduzir o fluxo portal e o sangramento.

Quando a endoscopia digestiva alta deve ser realizada em casos de HDA varicosa?

A endoscopia digestiva alta deve ser realizada dentro de 12 horas da admissão hospitalar, após a estabilização hemodinâmica do paciente, para permitir a identificação da fonte do sangramento e a realização de terapêutica endoscópica.

Quais são as opções terapêuticas endoscópicas para varizes esofágicas sangrantes?

As principais opções terapêuticas endoscópicas são a ligadura elástica de varizes (LEV) e a escleroterapia. A LEV é geralmente preferida devido à menor taxa de complicações e maior eficácia no controle do sangramento agudo.

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