HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2025
Paciente do sexo masculino, 58 anos, vem por quadro de hematêmese e melena há 2 horas. Acompanhante refere que esse é o segundo episódio de sangramento nos últimos 6 meses. Tem antecedente de consumo de destilados, diariamente, há 15 anos.À admissão, encontra-se confuso e agitado, pressão arterial de 80 x 60 mmHg, FC de 120 bpm, com tempo de enchimento capilar de 5 segundos. Paciente foi admitido na sala de emergência e, após monitorização, acesso venoso e expansão volêmica, evolui com novo episódio de hematêmese, que resultou em rebaixamento do nível de consciência, com necessidade de intubação orotraqueal.São complicações do procedimento que pode ser realizado pelo médico emergencista para controle do sangramento:
Balão de Sengstaken-Blakemore: controle temporário de HDA varicosa, mas com risco de necrose, isquemia e perfuração esofágica.
O balão de Sengstaken-Blakemore é um método temporário para controlar sangramentos varicosos graves e refratários. Embora eficaz, possui complicações sérias como necrose de asa de nariz (pela pressão do tubo), isquemia e perfuração esofágica (pela pressão excessiva ou posicionamento inadequado dos balões).
A hemorragia digestiva alta (HDA) varicosa é uma complicação grave da hipertensão portal, frequentemente associada ao etilismo crônico e cirrose hepática. Representa uma emergência médica com alta morbimortalidade, exigindo manejo rápido e eficaz. Pacientes com HDA varicosa frequentemente se apresentam em choque hipovolêmico, com rebaixamento do nível de consciência, necessitando de intubação orotraqueal para proteção de via aérea. A fisiopatologia envolve a ruptura de varizes esofágicas ou gástricas devido à pressão elevada no sistema porta. O tratamento inicial inclui estabilização hemodinâmica com fluidos e hemoderivados, proteção de via aérea, uso de drogas vasoativas (terlipressina, octreotide) e endoscopia digestiva alta para ligadura elástica ou escleroterapia. No entanto, em casos de sangramento maciço e refratário, pode ser necessário o uso de tamponamento com balão esofágico, como o balão de Sengstaken-Blakemore. O balão de Sengstaken-Blakemore é um procedimento de resgate que visa comprimir as varizes sangrantes, controlando temporariamente a hemorragia. Apesar de ser uma medida salvadora, suas complicações são significativas e potencialmente fatais. As mais comuns incluem necrose de asa de nariz (pela pressão do tubo), isquemia e perfuração esofágica (pela insuflação excessiva ou prolongada do balão esofágico), e aspiração pulmonar. A intubação orotraqueal prévia é fundamental para proteger a via aérea e reduzir o risco de aspiração durante a inserção e permanência do balão.
O balão de Sengstaken-Blakemore é indicado como medida temporária e de resgate em casos de hemorragia digestiva alta varicosa maciça e refratária ao tratamento endoscópico e farmacológico inicial, quando há risco iminente de vida e antes de procedimentos mais definitivos como TIPS ou cirurgia.
As principais complicações incluem necrose de asa de nariz (devido à pressão do tubo), isquemia e perfuração esofágica (pelo balão esofágico insuflado excessivamente ou mal posicionado), aspiração pulmonar (pela obstrução da via aérea superior ou vômito), e asfixia (se o balão gástrico se deslocar para a orofaringe).
Para minimizar as complicações, é crucial a intubação orotraqueal prévia para proteção de via aérea, monitoramento contínuo da pressão dos balões, desinsuflação periódica do balão esofágico (a cada 8-12 horas) para evitar isquemia, e fixação adequada do tubo para prevenir deslocamento. A equipe deve estar treinada para o procedimento e suas intercorrências.
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